Perguntas e respostas do 5º Congresso Internacional GSSI
Autores: GSSI
- RESPOSTA DAS CRIANÇAS AO CALOR: A IMPORTÂNCIA DA HIDRATAÇÃO
Flávia Meyer
Qual a concentração de CHO para bebidas ingeridas antes e depois do exercício e que quantidade por Kg/Peso da criança/adolescente? E para adultos?
A recomendação de CHO para bebidas ingeridas durante o exercício não tem sido tão estudada em crianças e adolescentes, como nos adultos. Existe bastante indicação cientifica de que crianças utilizam relativamente mais gordura do que CHO para uma determinada intensidade de exercício. Porém, desconhecemos que isto influenciaria a recomendação.
Mesmo assim, tem sido usada uma concentração em torno de 5-10 % CHO que é similar à de adultos. A necessidade de CHO vai depender do exercício (intensidade e duração) e das condições ambientais. Temos preferido usar até 6% para otimizar o esvaziamento e absorção intestinal e evitar desconfortos gastro-intestinais.
Em adolescentes, a utilização total de CHO pode chegar até de 1.0-1.5 g/kg/h durante um exercício intenso (Riddell et al., 2000).
Referencia: Riddell, M.C., Bar-Or, O., Schwarcz, H.P. and Heigenhauser, G.J. (2000). Substrate utilization in boys during exercise with [13C]-glucose ingestion. European Journal of Applied Physiology, 83, 441-448.
A ingestão excessiva de líquidos pode provocar algum malefício ao organismo?
Quando a ingestão excessiva de líquidos sem sal ou pouco sal é realizada para compensar as perdas decorrentes da sudorese. Pode ocasionar hiponatremia, que é a diminuição do sódio no sangue. Esta hiponatremia, quando intensa, pode causar sintomas neurológicos - inclusive convulsões e coma - devidos a um edema cerebral.
Quando a ingestão excessiva é realizada sem uma perda antecipada de suor (por exemplo, antes do exercício) o rim, se saudável, vai eliminar o excesso através da urina.
Porque não se recomenda o consumo de bebidas esportivas à base de FRUTOSE durante a realização de exercícios?
Há alguns anos, a ingestão de frutose antes ou durante o exercício era mais recomendada devido ao receio de que a glucose poderia desencadear uma reação insulínica e, então, uma hipoglicemia durante o exercício. Hoje, sabe-se que, apesar da glucose ocasionar este estímulo insulínico, ele quase nunca é suficiente a ponto de causar uma hipoglicemia.
Os estudos subseqüentes verificaram que a ingestão de frutose pode causar desconfortos gastrointestinais durante o exercício e sua absorção nem sempre é otimizada. Portanto, os carboidratos de bebidas esportiva normalmente combinam a glicose e a frutose.
Há algum estudo relacionado à aplicabilidade de isotônicos na saúde ocupacional? E em trabalhadores rurais? Há alguma contra-indicação?
Os estudos com isotônicos têm sido restritos ao exercício em geral. Não existe qualquer justificativa para eles serem contra-indicados. Ao contrario, em algumas situações de trabalho prolongado e/ou intenso, em que a sudorese é acentuada, os isotônicos poderiam ser benéficos no rendimento e até evitar problemas de saúde.
A maltodextrina 6% pode ser utilizada em crianças após a prática de atividade ou atividade intensa?
A principio, não existe qualquer evidencia científica de que a maltodextrina a 6% possa ocasionar qualquer risco para a criança ou adolescente após a pratica de atividade física. Portanto, as pesquisas com exercício têm usado mais a combinação de glicose e frutose.
No individuo asmático, porque a desidratação pode levar à broncoconstrição?
Existe uma hipótese de que a broncoconstrição induzida pelo exercício, que na maioria das vezes acontece em asmáticos, é provocada pelo aumento da osmolaridade na mucosa brônquica resultante da perda de água. Isto desencadearia uma resposta parassimpática que é responsável pela broncoconstriccao. Com a desidratação induzida pelo exercício, esta resposta poderia ser precipitada ou acentuada.
Uma referencia científica e atualizada neste assunto pode ser consultada.
Kalhoff, H. (2003). Mild dehydration: a risk factor of broncho-pulmonary disorders? European Journal of Clinical Nutrition, 57, Suppl 2:S81-87.
- O PAPEL DE CADA PROFISSIONAL EM UMA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR
José Maria de Camargo Barros
Foi dito que devemos trabalhar com prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde. Porém, existe uma lei que diz que a reabilitação é função do fisioterapeuta. Isso não pode causar problemas com o exercício ilegal da profissão?
O profissional graduado em Educação Física domina o conjunto de conhecimentos sobre o movimento humano nas dimensões biodinâmica, comportamental e sócio-cultural, próprios à Educação Física nas suas diversas manifestações e objetivos. Na sua intervenção, utiliza esses conhecimentos orientando a prática reflexiva de exercícios físiocorporais, incluindo atividades esportivas, objetivando a otimização de possibilidades e potencialidades do desenvolvimento e movimentação corporal harmoniosa e eficaz, com objetivos em relação à educação, à saúde, à prática esportiva e à expressão corporal.
O conceito de reabilitação é tornar a habilitar, restabelecer o estado anterior (à doença, à lesão), ou seja, o da pessoa livre da patologia ou lesão (portanto, não mais paciente). Ele pode e deve ter as suas capacidades fisiocorporais reabilitadas.
Neste ponto é necessário abordar a interface que a intervenção do profissional de Educação Física tem com outras profissões dos programas de saúde. Dos profissionais da saúde, é o de Educação Física o que tem formação, competência e amparo legal para atuar no planejamento, prescrição e dinamização de exercícios físicos, considerando não apenas os aspectos cinesiológicos e fisiológicos mas, também, os pedagógicos, psicológicos e sócio-culturais envolvidos. O Fisioterapeuta, em alguns casos, utiliza, também, o movimento na sua intervenção terapêutica. Porém, é intervenção de natureza diferente em relação à do profissional de Educação Física.
Fisioterapia subentende um tratamento fisioterápico de lesões ou patologias. Nesse sentido, para se justificar e caracterizar essa intervenção, se faz necessário um laudo identificador que comprove a lesão ou patologia individual de cada paciente para que se estabeleça o correspondente tratamento fisioterapeutico a ser realizado pelo profissional Fisioterapeuta. Isto não é simples exercício físico, é tratamento que nem sempre utiliza exercício físico ou movimento muscular.
A tipificação da atuação do profissional de fisioterapia reside na especificidade do uso de "métodos e técnicas fisioterápicos com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do PACIENTE", conforme estabelece o Art. 3º do Decreto-Lei nº 938/69 que provê sobre as profissões de Fisioterapeuta e de Terapeuta Ocupacional. "PACIENTE", segundo o dicionário Aurélio, é a "pessoa doente, sob cuidados médicos". Se a pessoa for definida como "paciente", ela deverá ficar sob os cuidados do Fisioterapeuta ou do médico, e estes determinarão tratamento fisioterápico ou tratamento médico até que o paciente deixe de ser doente (paciente). Então, ele pode e deve ser reabilitado.
Como os conselhos enxergam a orientação dietética feita pelos educadores físicos, principalmente em academias com maior enfoque aos suplementos?
O CREF4/SP, nas suas ações de fiscalização e orientação, procura esclarecer que o profissional deve respeitar a sua profissão e outras profissões que fazem interfaces com a Educação Física. Sempre que solicitado, o profissional de Educação Física deve encaminhar o seu cliente ao profissional que tem a competência técnica e legal para a orientação dietética, que é o Nutricionista.
Gostaria que o senhor comentasse sobre o piso salarial do profissional de educação física.
O CREF4/SP tem proposto discussões sobre o piso salarial e defende um salário digno de um profissional de nível superior que presta relevante serviço à sociedade, referido, inclusive, no Código de Ética profissional. Porém, mesmo no desenvolvimento de suas importantes finalidades, não tem amparo legal para determinar piso salarial. Isto é competência da organização sindical dos profissionais. É ela que cuida das relações trabalhistas.
Qual a sua opinião sobre o fato de o CREF não reconhecer a musculação como uma área de especialização e propor a prevenção como prioridade na composição de políticas públicas de saúde?
Não temos, ainda, oficialmente, especializações profissionais reconhecidas na profissão de Educação Física. O CONFEF esta trabalhando para estabelecer os critérios para se definir uma especialidade no exercício profissional na profissão de Educação Física. Especialização é um núcleo especializado da intervenção do profissional que aprofunda verticalmente a abordagem teórica e prática de conhecimentos, tecnologias, técnicas e habilidades e demais procedimentos da intervenção profissional num campo específico, com relação ao indivíduo, aos grupos ou à coletividade em geral.
Não deve ser confundida com campo de atuação, que é a modalidade de organização do campo de trabalho geral que é exercida em locais próprios para o desenvolvimento de intervenções especializadas com relação ao indivíduo, aos grupos ou à coletividade em geral. pode ser derivado e/ou relacionado a uma ou mais especialidades. Portanto, é necessário conceituar "musculação" e verificar se realmente pode ser definida como especialização profissional.
Quando se busca atender os direitos e necessidades da sociedade, principalmente em relação à saúde, todos concordam que a "Prevenção" é um dos fatores básicos para uma vida saudável. É correta a máxima popular que diz: é melhor prevenir do que remediar.
Reconhecendo a importância da Prevenção na promoção da saúde e o papel essencial da Educação Física nesse contexto, o Sistema CONFEF/CREFs (Conselho Federal e Regionais de Educação Física) tem desenvolvido ações junto às diferentes profissões da área da Saúde, visando colocar a prevenção como prioridade na composição de Políticas Públicas de Saúde, ou seja, inclusão de programas de atividade física.
Estas afirmações são fundamentadas em pesquisas realizadas sobre os valores do exercício fisiocorporal. São estudos internacionais que apontam que, a cada US $ 1.00 investido em atividade física, tem-se uma economia de US $ 3.20 em custos médicos. O investimento em projetos de esclarecimentos e facilitação da prática de exercícios físicos e esportes reduz, significativamente, a necessidade de investimentos em hospitais.
Se ocorre de o CRM surpreender alguém exercendo a função de médico ilegalmente, chega até a ser decretada a prisão. No entanto, o CREF, no máximo, fecha uma academia e aplica uma multa. O senhor não acha que o CREF deveria ser um pouco mais rígido para que nós, profissionais, tenhamos mais valor?
O CREF4/SP tem desenvolvido ações de orientação e fiscalização do exercício profissional em todo o estado de São Paulo. É um trabalho muito importante, pois envolve ações de mudança cultural em nossa sociedade em geral e, em particular, até dos próprios profissionais. A prática esportiva já foi considerada coisa de desocupados. As ações de orientação e fiscalização do CREF4/SP têm resultados muito positivos nestes 6 anos. Quando a fiscalização encontra atividades irregulares, toma as providências legais cabíveis num estado de direito.
Os membros do CREF/CONFEF já pensaram na possibilidade de haver uma prova para o registro no conselho? Não seria essa uma forma de diferenciar os profissionais capacitados em nossas áreas?
O sistema CONFEF/CREFs tem significativa preocupação quanto à boa formação profissional, ou seja, com a boa qualidade dos cursos de graduação, e tem desenvolvido ações junto aos gestores dos cursos para demonstrar essa preocupação. Já foram realizados 2 fóruns onde se discutiu as diretrizes curriculares dos cursos de graduação. O nosso país é formalista e, assim, o diploma assegura direitos. Portanto, a preocupação deve ser em melhorar os cursos.
Qual é a opinião do CREF com respeito ao uso e prescrição de anabolizantes?
Os anabolizantes são de uso restrito. Só podem ser utilizados por prescrição médica. O profissional de Educação Física deve conhecer e divulgar as informações científicas sobre os anabolizantes e deve saber que não pode prescrever ou recomendar.
- ATIVIDADE FÍSICA PRECOCE, BENEFÍCIOS E MALEFÍCIOS
Mário Bracco
Qual a sua opinião sobre competições infantis organizadas pelas principais federações do estado como atletismo, futsal, futebol, etc., com crianças cada vez mais novas?
Como destaquei na apresentação, as competições envolvendo crianças não são recomendadas em função do potencial de promoção de lesões no organismo em crescimento que pode ter uma série de conseqüências negativas para a vida esportiva da criança: desde a interrupção temporária da atividade, com conseqüente perda de dias na escola, a lesões por excesso de uso em estruturas corporais que podem significar o início de problemas que podem se cronificar, abreviando ou mesmo interrompendo a carreira desportiva em idades precoces.
Além disso, do ponto de vista psicológico, a criança submetida a regimes intensos de treinamentos e competições submete-se a um esquema "profissional" pela busca de resultados sem ter estrutura emocional para tanto, podendo ter como resultado o abandono da atividade, por exemplo, dentre outras conseqüências.
As competições entre crianças devem priorizar radicalmente o aspecto lúdico e nunca o competitivo da atividade desportiva em questão. A criança pode vivenciar o esporte e se aprimorar durante o processo de crescimento e desenvolvimento, para que na adolescência possa se envolver gradativamente em competições com níveis de exigência cada vez maiores, de acordo com a sua aptidão física e talento esportivo.
A busca por resultados imediatos durante o crescimento, além de expor as crianças a riscos desnecessários, pode ter efeito oposto ao desejado inicialmente e afastá-las de atividades desportivas.
Sobre a avaliação física do adolescente, o senhor saberia informar quais pregas devem ser aferidas e os protocolos adequados?
Em relação à avaliação da composição corporal, existem diversos protocolos envolvendo diferentes dobras cutâneas. A minha experiência envolve a soma de sete dobras (bíceps, tríceps, abdominal, supra-escapular, axilar média, panturrilha e supra-líaca), de acordo com a padronização do Celafiscs como coadjuvante das medidas antropométricas de peso e altura para classificação nutricional de crianças e adolescentes, cujo objetivo principal são estudos científicos envolvendo a promoção de saúde. Não tenho experiência com diferentes protocolos específicos para adolescentes, principalmente aqueles envolvidos em atividades esportivas.
- ALIMENTAÇÃO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Mauro Fisberg
Até que ponto é indicado o uso de suplementos alimentares aos adolescentes esportistas de alta performance?
Devemos lembrar que suplementos alimentares englobam desde preparados vitamínicos a suplementos com proteínas, aminoácidos, energéticos, lipídeos, soja e outros. Em alguns casos, há a necessidade de reposição específica, controle de carências e suporte nutricional em atletas de altíssima performance. Na adolescência, usualmente, não há a necessidade de reposição específica, mas ferro é o elemento de maior risco, especialmente em mulheres. Em adolescentes com baixo aporte de cálcio, pode-se tentar derivados lácteos e, em ultimo caso, produtos enriquecidos. Suplementos equilibrados para ganho de massa corporal inespecífica são úteis em seletivos alimentares. Os demais não têm indicação.
Qual a sugestão de alimentos adequados para o intervalo prolongado no caso de uma competição, em que, muitas vezes é complicado levar alimentos? Frutas?
Uma possibilidade são as frutas secas, como passas ou bananas, frutas frescas e sopas de preparo rapido.
Há importância significativa na adequação do Zinco e do magnésio na dieta destas crianças?
Zinco é essencial para a síntese protéica, do DNA e RNA, e tem fontes bastante complexas de se alcançar, como carnes e frutos do mar. No entanto, é um mineral de reserva lenta, e dispersa em todo o corpo, sendo essencial para preservação de energia e paladar.
- CÁLCIO: UMA IMPORTANTE ARMA NO CONTROLE DA MASSA CORPORAL
Patrícia Genaro
Qual a referência bibliográfica da tabela de biodisponibilidade de cálcio?
Segue a referência da tabela de biodisponibilidade do cálcio: Buzinaro, EF, Almeida, RNA, Mazeto, GMFS. Biodisponibilidade do Cálcio Dietético. Arq Bras Endocrinol Metab. 2006; 50(5): 852-60.
Existe sensacionalismo por parte da mídia sobre o fato de o leite (e derivados) auxiliar no emagrecimento. O que eu consegui concluir ao longo das palestras é que o conjunto de componentes existentes nesses alimentos é que realmente fazem esses alimentos eficientes no emagrecimento. Por favor, comente.
Acredita-se que o maior efeito dos produtos lácteos seja devido à existência de outros compostos bioativos, que podem atuar de forma independente ou sinérgica com a supressão de 1,25(OH)2D3, afetando favoravelmente a eficiência metabólica e a perda de gordura. Dentre os compostos, pode-se citar as proteínas do leite, que contém, de maneira significante, o inibidor da atividade da enzima conversora de angiotensina (ECA) e os aminoácidos de cadeia ramificada como a leucina.
Entre a relação do leite de vaca e de soja, também existe a diferença nos tipos de aminoácidos, fora a vitamina D. Então, não adianta somente a fortificação com o cálcio no leite de soja?
Correto. É muito difícil fortificar um alimento para que seja completamente equivalente ao outro. No entanto, cabe aos profissionais de nutrição orientar que a substituição do leite de vaca pelo extrato de soja não é equivalente e que o equilíbrio da dieta vai depender do consumo de outros alimentos para alcançar a adequação dos nutrientes.
O consumo de CA2+ na forma de produtos lácteos acarreta maior perda de peso que a suplementação. No entanto, eles possuem calorias e, assim, outros alimentos deveriam ser eliminados da dieta. Como ficaria isso?
Não necessariamente. É possível fazer uma dieta hipocalórica com o consumo de três porções de leite e derivados ao dia.
Uma mulher idosa que faz uso freqüente de corticóide tem que suplementar CA+ ou somente a dieta é suficiente?
O uso de medicamentos com corticóide pode realmente levar à diminuição de massa óssea. Sim, no caso da mulher idosa, mesmo com uma ingestão adequada de cálcio, seria necessário a suplementação, uma vez que, neste caso, existem dois fatores de risco importantes para a perda de massa ósseo: o uso do corticóide e a idade.
- O PAPEL DE CADA PROFISSIONAL EM UMA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR
Sandra Chemin
Existe alguma política pública brasileira com respeito à nutrição esportiva para atletas federados?
Ainda não. Esperamos que, no futuro, nossos governantes possam entender esta necessidade. Continuamos com a sensibilização.
Qual sua opinião a respeito da interferência dos profissionais de Educação Física na prescrição de dieta de atletas?
Eles não podem prescrever. Se o CRN recebe denúncia, encaminha ao Conselho Regional de Educação Física e ao Ministério Público por falsidade ideológica e o profissional responderá processo.
Qual é a opinião do profissional de nutrição com respeito ao uso e prescrição de anabolizantes?
Não é permitido ao nutricionista prescrever anabolizantes pelos danos que eles trazem à saúde.
Visando o crescimento da nutrição esportiva, qual sua opinião sobre a utilização de suplementos?
Eles podem ser prescritos dentro das DRI.
Não seria bom que os nutricionistas atendessem pelo convênio?
Seria ótimo. Esta briga não está focada em todo Brasil pois, no nordeste, vários convênios já têm nutricionista. Continuaremos na luta.
Se tivermos de pensar o exercício físico como um dos pilares da saúde e bem estar e se a nutrição é outro destes pilares, não seria correto entender que o profissional nutricionista deveria estar preparado para entender a interface entre exercícios, saúde e alimentação. O acompanhamento de atletas não seria outro campo de atuação devido a metas diferenciadas?
O nutricionista tem como campo de atuação a nutrição esportiva, onde a mesma é voltada para atletas e para praticantes de atividade física. Os atletas estão se sensibilizando aos poucos. Já temos nutricionista nos Jogos do PAN acompanhando o Boxe, por exemplo.
- NOVAS TENDÊNCIAS EM SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL
Tânia Rodrigues
Qual o posicionamento atual da nutrição esportiva com relação ao uso de L-Carnitina? E o da Anvisa?
Esse tipo de aminoácido recebeu atenção por ser um dos responsáveis pela oxidação lipídica. Os estudos envolvendo a suplementação de L-carnitina na prática esportiva cessaram por volta do ano 2000. Na lipólise, para que os ácidos graxos de cadeia longa atravessem a membrana mitocondrial para serem oxidados, há o auxílio da enzima carnitina-palmitoil transferase (CPT). A suplementação de carnitina visava a manipulação da concentração desta enzima. Já é comprovado cientificamente que, em indivíduos deficientes de carnitina, sua suplementação pode ser importante, porém há poucas evidências que mostrem redução da gordura corporal ou melhora de rendimento em indivíduos saudáveis. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) proibiu a venda deste suplemento no país, pois seu uso não apresenta segurança, já que os efeitos não são cientificamente comprovados.
O que você acha do GF-1 constituído por colostro bovino?
A suplementação de colostro em atletas tem a proposta de aumentar o desempenho físico, através do estímulo à síntese protéica e o crescimento da massa óssea. A maioria dos estudos não mostra resultados significativos em termos de rendimento esportivo e composição corporal. Assim, o uso deste suplemento deve ser analisado criteriosamente. Além disso, ainda não há aprovação da ANVISA.
Qual a sua opinião sobre melatonina?
A melatonina tem sido foco de muitos debates e sua exploração na prática clínica tem ocorrido nos últimos anos. Entretanto, regras para seu uso terapêutico ainda são assunto de muitos estudos. A melatonina apresenta níveis aumentados antes do início de sono. O aumento e queda desses níveis de secreção têm relação com o ritmo endógeno de temperatura. O efeito da melatonina exógena ainda é controverso. Ainda não são claros os benefícios da melatonina para o tratamento da insônia. Em idosos parece promover redução da latência de sono mas, nesta população, a manutenção do sono pode ser o ponto mais crítico. Também não existem evidências de que idosos com baixa secreção de melatonina exibam resposta à administração de melatonina exógena. Para outras funções como melhora na produção de hormônios e até algum benefício na performance esportiva não há comprovação científica, sendo sua prescrição classificada como medicamentosa.
E o aspartato de arginina usado como antifadigante? É seguro e eficaz?
A maioria dos estudos envolvendo a suplementação de aspartato de arginina não detalha o consumo alimentar dos indivíduos submetidos à suplementação, podendo os prováveis efeitos benéficos serem atribuídos a alguma deficiência prévia. As dosagens suplementadas são variáveis e também existem controvérsias nos resultado, principalmente no que diz respeito à fadiga muscular. Além disso, a maioria dos estudos envolve atletas que praticam esportes de alta intensidade e curta duração. Dessa forma, deve-se ter cautela na administração. Além disso, há necessidade de mais pesquisas de qualidade para confirmar os potenciais efeitos e riscos, já que existem alguns estudo em ratos que demonstram destruição muscular quando administrado em grandes dosagens.
É comum vermos prescrições médicas de glutamina para indivíduos em tratamento quimioterápico. Qual sua função?
Em condições normais, a glutamina é produzida e liberada pelos músculos em quantidade excedentes àquelas utilizadas pelos linfócitos, com funções imunológicas. O tratamento quimioterápico pode induzir alterações no processo de síntese de glutamina nos músculos esqueléticos, diminuindo a disponibilidade desse aminoácido para as células do sistema imune, podendo provocar imunodepressão, tornando os indivíduos mais suscetíveis a processos infecciosos. Além disso, pode ocorrer juntamente com esse processo a alteração de alguns hormônios como a adrenalina, cortisol, hormônio do crescimento e b-endorfina. Em outras patologias que induzem diarréias freqüentes, a glutamina é útil para melhorar a recuperação da mucosa intestinal, já que o grande consumidor deste aminoácido são os enterócitos intestinais.
Quais tipos de substâncias poderiam aparecer no whey protein que não deveriam aparecer?
Existem diversos tipos de Whey no mercado, de diversas marcas e diferentes composições. A escolha do tipo de Whey a ser utilizado varia de acordo com o tipo e intensidade do exercício, maturação muscular e óssea, ingestão protéica da dieta por via alimentar, necessidades energéticas, etc. Não existem substâncias "que não deveriam aparecer" no suplemento. O interessante é fazer a escolha certa do tipo de Whey de acordo com as características fisiológicas individuais e particularidades do esporte em questão.
- TREINAMENTO FUNCIONAL: UM CAMINHO PARA O BEM ESTAR
Luciano D'Elia
Treinamento funcional para terceira idade não aumenta os riscos de lesões?
O Treinamento Funcional tem o binômio melhora de performance e prevenção de lesão como alicerce. Sendo assim, todas as estratégias apresentadas, se obedecidas leis universais de treinamento como progressão e individualidade, criarão adaptações positivas que irão atenuar o risco de lesões nessa população.
Há um constante aumento de jovens de faixa etária entre 13 a 17 anos nas academias de musculação. Gostaria de saber se podemos e como podemos aplicar o treinamento funcional a esse público.
Quando se pensa em Treinamento Funcional como um programa de condicionamento físico global, onde além de força, equilíbrio, coordenação, flexibilidade, velocidade e resistência são estimulados, fica fácil perceber que isso é muito mais adequado a indivíduos dessa faixa etária onde, através de estímulos mais variados, podemos enriquecer o seu programa motor e criar uma base de condicionamento que favorecerá escolhas futuras. E além de tudo isso, ofereceremos algo muito mais motivante e divertido.
Este tipo de treinamento é indicado para reabilitação, portadores de deficiência física, mental entre outras?
No meu entendimento, Treinamento Funcional é um programa de condicionamento físico, não de reabilitação. Dependendo da forma que é aplicado em algum momento pode ser considerado como pré-habilitação ou como um processo contínuo da fase final de reabilitação. Mas, ao mesmo tempo, como temos uma flexibilidade grande na criação de programas altamente específicos, posso imaginar o Treinamento Funcional sendo aplicado para essa população.
Pode-se dizer que o treinamento funcional é totalmente ligado à pliometria?
Vejo a pliometria como um elemento importante e bastante útil para o programa de treinamento de certos indivíduos, principalmente quando o objetivo é melhorar a força explosiva e a velocidade. Mas este seria apenas um dentre vários elementos que o Treinamento Funcional disponibiliza para esse fim.
Indique um livro para treinamento funcional aplicado aos desportos.
Tenho um livro que vais ser lançado no segundo semestre pela Editora Phorte.
Enquanto isso, recomendo High Performance Sports Conditioning, Bill Foram, Human Kinetics.
Quais exercícios podem ser aplicados para jogadores de futebol?
Pela complexidade do esporte, que exige num alto nível a proeficiência de várias capacidades, há uma grande quantidade de exercícios de efeito geral e específico que podem ser propostos para o jogador de futebol. Alguns dos principais seriam exercícios que envolvem propriocepção dos membros inferiores para a prevenção de lesão, a combinação de exercícios derivados do levantamento olímpico, pliométricos e de agilidade para aprimorar a velocidade, e exercícios para a região do core.
Por serem exercícios mais complexos na especificidade, feitos com a bola, podemos utilizá-los em qual momento num treinamento proposto?
Como qualquer exercício, exercícios com bola têm o momento certo para serem aplicados no treinamento. O que vai determinar esse momento é a condição do indivíduo e os objetivos do treinamento.
Qual a diferença de treinamento funcional para Kinesis e o custo?
Na verdade a melhor colocação não seria apontar uma diferença, mas sim que não existe nenhuma semelhança. Kinesis é uma estação de cabos da marca Technogym para a qual é sugerido um programa de exercícios. O Treinamento Funcional é um conceito de condicionamento físico, que para atingir os objetivos de melhora de performance prevenção de lesão de um individuo, usa das mais variadas ferramentas, entre elas estações de cabos. Mas o que vai determinar qual delas é mais útil é a necessidade básica do individuo. Não vejo como viável um programa de condicionamento físico onde o indivíduo se adapta ao aparelho, ao invés do lógico que seria o processo inverso.
A maioria dos exercícios são em superfícies instáveis. Isto não aumentaria o risco de lesões da coluna?
Ao contrário, a maior parte dos exercícios numa sessão de treino de um programa de Treinamento são realizados sobre uma superfície estável ou seja, o chão. É um erro acreditar que a simples execução de qualquer exercício sobre uma superfície instável possa ser considerado Treinamento Funcional. O que vai determinar isso é o quanto esse programa de treino obedece valores universais de treinamento como individualidade, especificidade e transferência.
Existe algum estudo que comprove os benefícios do treinamento funcional com a musculação convencional?
Para todos elementos utilizados nesse método como, por exemplo, exercícios em cadeia cinética fechada, o uso de superfícies instáveis para estimular a propriocepção, exercícios pliométricos e de força explosiva, exercícios específicos para aumentar a transferência de resultados para a atividade alvo, existe vasta quantidade de referências na literatura. Mas eu imagino o Treinamento Funcional como um método inclusivo e não exclusivo. Sendo assim, creio que mesmo um programa de musculação convencional pode ser enriquecido com esses elementos. Por outro lado, como os objetivos da "musculação convencional" e do Treinamento Funcional são diferentes, acho que uma comparação de qual dos dois seria mais eficiente não é possível.
Como otimizar carga, volume e intensidade?
A otimização dessas variáveis vai ser determinada pelos objetivos do programa de treino, mas a princípio uso como regra um modelo de periodização ondulatória ou não-linear.
