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Jogos Olímpicos de verão 2004: Atenção com a desidratação

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Marins JCB. Jogos Olímpicos de verão 2004 ? Atenção com a desidratação. Disponível em: http://www.gssi.com.br/. Acesso em xx.xx.200x.

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Autores: João Carlos Bouzas Marins

Um bom desempenho nos Jogos Olímpicos (JO) de um atleta ou equipe, está condicionado a um conjunto de fatores multivariados. O investimento financeiro no esporte é normalmente expressado no quadro final das medalhas obtidas durante os jogos. Entretanto, existem pequenos detalhes que não exigem um grande investimento, porém garante uma condição ideal de competição. O suporte hídrico é um destes elementos de fundamental importância para que um atleta possa competir em plenas condições físicas e mentais.
O período dos JO da Grécia em pleno mês de agosto, impõe ao atleta uma carga física tremenda, considerando-se que será disputado no mês mais quente do verão europeu. Tem-se ainda como agravante o fato de ser uma das regiões (Costa do Mediterrâneo) com registros contínuos de elevadas temperaturas e umidade, provocando assim uma importante carga física para a manutenção da temperatura corporal, através da produção de suor e conseqüente desidratação.
Alguns atletas que disputam suas competições em ambientes refrigerados, como o vôlei de quadra, basquete, ginástica artística e tênis de mesa, podem apresentar um menor comprometimento do efeito do calor ambiental, já que somente estão expostos ao calor somente em condições de repouso.

Porém, existe um conjunto de modalidades, tais como o ciclismo, hipismo, futebol, vôlei de praia, triatlon e as provas de atletismo, em especial a maratona, que são disputadas tendo influência direta das condições ambientais. Estes atletas sofrem influência do calor ambiental em dois momentos: a) em condições de repouso e b) durante o exercício.
Durante o exercício, dependendo do tempo de duração e intensidade, além das condições ambientais de calor e umidade, em seu conjunto, produzem uma carga física orgânica tremenda, pois para manter a temperatura corporal em níveis adequados, o organismo terá que apresentar uma cota de sudorese por hora, e durante várias horas, de forma elevada. Um bom exemplo deste feito foi o registro do campeão olímpico da prova de maratona Alberto Salazar, nos JO de Los Angeles (1984), onde registrou-se uma perda hídrica de 8,1% somente durante a prova (Armstrong et al., 1986).

Para conseguir superar todas estas dificuldades, os atletas devem passar por um período de aclimatação, onde se recomenda um mínimo de 7 dias, além de uma ação aguda de hidratação ao longo de todo o dia, não somente durante o exercício. Qualquer falha neste processo pode ter um custo elevado para o atleta, o que foi evidenciado nestes JO de 2004, com a corredora inglesa que vinha em terceiro lugar na prova de maratona e abandonou a prova faltando apenas 6 km. Entre os principais problemas relacionados ao calor tem-se a hipertermia, a desidratação, a síncope de calor, a hiponatremia, além das cãibras (Marins, 1998; Marins et al., 2000).

É extremamente provável que, além de superar todos os obstáculos inerentes da própria competição, os atletas das provas disputadas em ambiente externo terão que vencer um adversário invisível; o calor e a desidratação. É possível estimar que o atleta que consiga manter sua condição de homeostase hídrica durante a competição, será aquele com grande potencial para vencer. A desidratação durante o exercício está associada a uma série de comprometimentos orgânicos, que estão diretamente relacionados com a performance. O quadro 1 apresenta um lista destes comprometimentos:

Quadro 1: Comprometimentos orgânicos da desidratação relacionados com o exercício físico

É extremamente difícil prever como cada atleta irá reagir sobre as condições de desidratação, já que cada um apresentará um efeito mais ou menos agudo para cada elemento indicado no quadro 1. Entretanto, é fato conhecido e notório que qualquer um deles é limitante da performance, o que deve ser evitado ao máximo com uma ação aguda de hidratação, não somente durante o exercício, mas também antes e após sua realização.

A hidratação correta representa assim um detalhe no meio do conjunto de variáveis que interferem para que um atleta obtenha o sucesso nos JO representados pelo ganho da medalha. Porém, é um detalhe extremamente importante que nem sempre é observado, mesmo em atletas de alto nível, como ficou evidenciado na maratonista suíça durante os JO de 1984 (Los Angeles), cuja chegada ao final da prova de maratona virou símbolo de resistência, persistência e tenacidade, porém com risco elevado de colapso e morte.

Por último, cabe destacar que não somente os atletas estão submetidos à condição de desidratação durante os JO, mas também toda equipe de arbitragem e apoio, além do próprio público em geral que assiste aos jogos, que caso não se hidratem adequadamente, poderão apresentar problemas físicos relacionados ao calor.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARMSTRONG, L.; HUBBARD, R.; JONES, B.; DANIEUS, J.: Preparing Alberto Salazar for the heat of the 1984 Olypic Marathon. Physician and Sportsmedicine; v. 14: p. 73 - 81, 1986
Marins, J.; Dantas. E.; Zamora, S. Deshidratación y ejercicio físico. Selección: Revista Española de la Educación Física y el Deporte. V. 9, n. 3, p. 149 - 163 , 2000
Marins, J. Acidentes termorregulatórios associados ao calor e a atividade física. Revista Mineira de Educação Física. v. 6,n.1, p. 5 - 17, 1998.