SSE 45: Ervas e atletas
Autores: Susan Kundrat
PONTOS PRINCIPAIS
- Ervas são partes de plantas que dizem ter valores medicinais, terapêuticos ou capacidade de melhorar o desempenho. Podem ser vendidas como produtos frescos ou desidratados, extratos líquidos ou sólidos, comprimidos, cápsulas, pó, bebidas, barras energéticas ou sachês de chá.
- Nos Estados Unidos não se exige que as ervas sejam padronizadas; portanto os lotes provenientes de diferentes fabricantes não são homogêneos. Apesar disso, as ervas são regulamentadas pelo U.S. Food and Drug Administration (FDA) como suplementos nutricionais incluídos na legislação conhecida como Dietary Supplement Health and Education Act – DSHEA , aprovada em 1994.
- As ervas são usadas há muitos anos, principalmente na China. Entretanto, na maioria dos casos, o número de estudos duplo-cego, placebo-controlados, realizado em seres humanos sobre o uso de ervas por atletas é limitado ou inexistente, dificultando a avaliação sobre o papel das ervas para melhorar o desempenho esportivo.
- Preocupações com relação à segurança, efeitos colaterais e potenciais interações entre medicamentos e ervas fizeram com que o uso de produtos à base de ervas seja ponto de discussão crucial entre atletas e a equipe de saúde.
É difícil reunir informações confiáveis sobre ervas e desempenho, mas isso é fundamental para a educação dos atletas sobre os potenciais benefícios e os efeitos colaterais adversos das ervas.
Técnicos e profissionais da saúde que trabalham diretamente com os atletas sempre procuram maneiras seguras e eficazes de melhorar a saúde e o desempenho por meio de alimentos, líquidos e suplementos nutricionais. As ervas são partes de plantas valorizadas há muito tempo por causa do seu papel medicinal ou terapêutico, principalmente na China. Na verdade, muitos medicamentos comuns, tais como a aspirina, a digoxina e o quinino, foram inicialmente desenvolvidos a partir de ervas. Dessa maneira, elas podem atuar como medicamentos e como drogas, mas também apresentam potenciais riscos colaterais ou interações com alimentos, outras ervas ou medicamentos. Estima-se que, nos Estados Unidos, aproximadamente cinco bilhões de dólares sejam gastos anualmente com produtos à base de ervas (National Center for Complementary and Alternative Medicine, 2005). Este artigo faz uma revisão dos poucos estudos publicados e disponíveis em inglês sobre algumas ervas que os atletas podem usar na esperança de melhorar a saúde e/ou desempenho. As ervas usadas nos esportes incluem aquelas para melhorar o desempenho em eventos de endurance de longa duração, induzindo a hipertrofia muscular e aumento de força, redução da gordura corporal, acelerando a recuperação e melhorando o desempenho nos esportes coletivos (Bucci, 2000). Muitos atletas podem usar produtos à base de ervas como coadjuvante no tratamento após uma lesão, para diminuir a inflamação, controlar a dor, permanecer mais alerta e para aumentar a imunidade e otimizar a manutenção da saúde fora e durante a temporada, permitindo que participem das competições nas melhores condições possíveis. Não há estudos suficientes sobre o uso de ervas por atletas para fazer recomendações firmes e este também não é o objetivo deste artigo. Na verdade, esta revisão apresenta uma introdução sobre as poucas pesquisas científicas realizadas com algumas ervas e descritas em inglês. Além disso, é importante lembrar que alguns dos fitoquímicos presentes nas ervas podem causar efeitos colaterais, inclusive interações adversas com medicamentos que o atleta possa estar tomando. Para resumir, os atletas devem ser extremamente cautelosos sobre a ingestão de ervas que contenham quantias desconhecidas de químicos para promover benefícios obscuros e que podem causar efeitos colaterais prejudiciais.
Arnica A arnica é encontrada nas flores e no rizoma da planta Arnica Montana . Também é conhecida como tabaco das montanhas, arnica das montanhas e arnica verdadeira. Costuma ser comercializada na forma de gel e é usada de maneira tópica porque pode estimular o sistema imune e minimizar a inflamação associada com hematomas, torções e dor de modo geral. Acredita-se que os efeitos antiinflamatórios da arnica sejam mediados pela helenalina, um terpeno, que reduz o edema nos animais (Memorial Sloan-Kettering, 2005). Apesar de ser usada como flavorizante em quantias pequenas e reconhecida como segura (Generally Recognized as Safe -- GRAS), pelo Food and Drug Administration para uso em alimentos nos Estados Unidos, quantias maiores desta erva não são consideradas seguras para consumo oral porque a arnica pode causar envenenamentos graves e alguns fatais (Natural Medicines Comprehensive Database, 2005). O astragalo ( Astragalus membranaceus ) é usado para melhorar a resposta imune e manter a saúde global (Sinclair, 1998). Diz-se que o astragalo, conhecido como huang chi ou huang qi , estimula ou potencializa os componentes do sistema imune, incluindo a atividade das células natural killer (NK)(Memorial Sloan-Kettering, 2005). Compostos que incluem as saponinas (um glicosídio encontrada na aveia, espinafre e outras plantas) e polissacarídeos podem afetar o efeito do astragalo no sistema imune. Pimenta malagueta e jalapeño A pimenta (malagueta e jalapeño) ( Capsicum frutescens, Capsicum annuum ) é uma das especiarias mais consumidas. Conhecida como pimenta vermelha, pimenta ardida, chilies africanas e páprika. A pimenta malagueta é ingerida para estimular a digestão, tratar a diarréia, cãibras e dores de dente, dores musculares, osteoartrite, artrite reumatóide e espasmos musculares e como gargarejo para tratar a laringite. A capsaicina é seu componente ativo e acredita-se que seu efeito de alívio da dor seja proveniente de sua capacidade de interferir com os nervos sensoriais na pele (Memorial Sloan-Kettering, 2005). Cordyceps sinensis O cordiceps ( Cordyceps sinensis, Sphaeria sinensis ) é um cogumelo chinês. É usado para tratar diversos problemas como fadiga, distúrbios respiratórios, disfunção sexual, fortalecer o sistema imune e melhorar o desempenho atlético. Estudos preliminares sugerem que o cordiceps pode estimular a função imune de diversas maneiras, inclusive aumentando o número de células T helpers , aumentando a atividade de células natural killers , estimulando a produção de células sanguíneas mononucleares e aumentando a sobrevida dos linfócitos (Natural Medicines Comprehensive Database, 2005). Garra-do-diabo A garra-do-diabo ( Harpagophytum procumbens ) é uma erva nativa da África do Sul, Namíbia e Botsuana. Também é conhecida como unha-do-diabo e harpago. É usada para aliviar a dor, melhorar a digestão e diminuir a febre. Mais recentemente, anunciou-se seu uso para tratar dor lombar e osteoartrite. Acredita-se que o composto responsável por isso seja o harpagosídio, um fenilpropanóide (Memorial Sloan-Kettering, 2005). A garra do diabo parece inibir a COX-2 e a óxido nítrico sintetase, um modulador da inflamação (Natural Medicines Comprehensive Database, 2005). O tratamento com o extrato de garra do diabo foi associado a um risco menor de apresentar eventos adversos que o tratamento com analgésicos sintéticos e isso pode contribuir para o alívio da dor na maioria dos casos de pacientes usando a erva em dose diária de, no mínimo, 50 mg de harpagosídeo (Chrubasik, 2004). Observou-se que esta erva é bem-tolerada quando usada diariamente por até 16 semanas. Entretanto, pode interferir com diversos medicamentos, inclusive antiácidos, medicamentos para tratar diabetes e hipertensão. Equinácea A equinácea ( Echinacea purpurea, Echinacea angustifolia, Echinacea pallida ) é uma das ervas que se tornou bastante popular nos últimos anos devido ao suposto benefício para prevenir e tratar o resfriado comum e fortalecer o sistema imune (Memorial Sloan-Kettering, 2005). Sabugueiro O sabugueiro ( Sambucus nigra ) é tradicionalmente usado pelos herbalistas. O sabugueiro é usado há muito tempo para a produção de conservas, vinhos e flavorizantes. Nos últimos anos, suplementos de sabugueiro, sucos e xaropes tornaram-se populares por causa do teor de flavonóide. Os principais usos do sabugueiro são para controlar sintomas comuns de resfriados, gripe e febre, mas também é usado como diuréticos (American Botanical Council, 2005). Estudos in vitro apontaram capacidade significativa como antioxidante, propriedades antivirais, de imunoestimulação e produção aumentada das citocinas inflamatórias e antiinflamatórias (American Botanical Council, 2005). Gengibre O gengibre ( Zingiber officinale ) tem sido vendido para tratar redução de apetite, cólicas abdominais, diarréia, sintomas de abstinência de drogas, indigestão, náuseas e vômitos, e outras condições de mal-estar (Memorial Sloan-Kettering, 2005). Conhecido como raiz de gengibre, mangaratá e magaratáia, costuma ser usado para evitar náuseas provocadas pelo movimento em meios de transporte, melhorar o apetite e tratar a osteoartrite. Acredita-se que as substâncias shagaol e gingerol encontradas no rizoma do gengibre têm ação anti-hemética e que estimulem o fluxo de saliva, bile e secreções gástricas (Memorial Sloan-Kettering, 2005). Muitos estudos clínicos sobre o gengibre mostraram que ele é benéfico para mulheres grávidas com náuseas ou em pacientes pós-cirúrgicos. Há menos evidências sobre o papel do gengibre como inibidor de náuseas provocadas pelo movimento. Gengibre O ginseng é amplamente comercializado para melhorar o desempenho no exercício. O termo ginseng geralmente refere-se à espécie Panax ginseng , também conhecida como ginseng chinês ou ginseng coreano. Os prováveis agentes ativos na raiz do ginseng são os ginsenosídios. O ginseng é comercializado para muitas finalidades que podem estar ligadas aos atletas, mas as mais comuns são aumentar a força física, restaurar o Qi ou energia da vida, melhorar a saúde global, melhorar a imunidade e aumentar a vitalidade. O ginseng também apresenta efeitos que fortalecem o sistema imune em animais e seres humanos e atividade antioxidante in vitro e em animais (Bucci, 2000). Centelha Asiática Entre os distúrbios que supostamente melhoram com o uso da centelha asiática (Centella asiatica, Hydrocotyle asiatica) estão as queimaduras, câncer, problemas circulatórios, gastrintestinais, hipertensão, perda de memória e varizes (Memorial Sloan-Kettering, 2005). Esta erva também é comercializada para reduzir inflamações da pele, aumentar os níveis de energia e ajudar na recuperação de lesões como torções e distensões. Os dois últimos efeitos mencionados podem ser de interesse aos atletas, mas não se publicou nenhum trabalho que corroborasse esses efeitos. Guaraná O guaraná ( Paullinia cupana ) é uma das muitas ervas que alegam ter efeitos semelhantes ao da cafeína. É encontrado em muitos suplementos “energéticos” ou suplementos para “perda de gordura” comercializados para atletas. Derivado da semente e da goma proveniente da árvore, o guaraná é comercializado principalmente como supressor do apetite, estimulante do sistema nervoso central, e como substância que acentua o poder atlético e aumenta a energia. Rodiola A rodiola (Rhodiola rosea), uma planta popular na medicina tradicional dos países da Europa Oriental e da Ásia, supostamente aumenta a resistência geral aos agentes físicos, químicos e biológicos do estresse. Diz-se que estimula o sistema nervoso, diminui a depressão, melhora o desempenho no trabalho, elimina a fadiga e evita náuseas em altitudes elevadas. Também é comercializada para melhorar o desempenho atlético. Também conhecida como raiz dourada ou raiz do Ártico, foi extensamente estudada na Rússia e na Escandinávia por mais de 35 anos. Valeriana A valeriana ( Valeriana officinalis, Valerianae radix ) é usada oralmente como sedativo hipnótico para insônia, distúrbios do sono e ansiedade, para distúrbios de humor, tais como depressão e distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade (DDAH), para diminuir cólicas menstruais e para ajudar a aliviar a dor muscular e articular. Também chamada de valeriana silvestre, erva-dos-gatos, erva-de-gato e erva-de-são-jorge, contém diversos compostos que podem oferecer seus efeitos incluindo alguns ésteres, óleos voláteis, monoterpenos e sesquiterpenos. Salgueiro-branco Atletas podem usar o salgueiro-branco ( Salix alba ) em vez de aspirina para aliviar dores. O principal componente ativo do extrato de salgueiro-branco é a salicina, que é convertida em acetilsalicílico no intestino. É usado com fins semelhantes ao da aspirina pra combater febre, cefaléia, inflamação, osteoartrite, gripe e dores musculares. Ervas comercializadas com poucas pesquisas científicas A maioria das ervas é comercializada aos atletas com poucos ou nenhum dado sólido para corroborar as hipóteses de melhora no desempenho, aumento da massa muscular ou mais energia em campo. Um exemplo é a iombina, comercializada para acentuar o desempenho atlético. As pesquisas não corroboram esta hipótese e há muitas potenciais reações adversas com a erva (i.e.: ansiedade, nervosismo, tontura, sintomas de mania). Também acredita-se que haja interação da iombina com diversos tipos de medicamentos. A administração terapêutica da casca da iombina e suas preparações não são recomendadas devido à falta de provas de eficácia e da correlação imprevisível entre o risco e o benefício (Blumenthal, 1998, p. 383). Segurança e potenciais interações entre as ervas Atletas e aqueles que trabalham com eles devem lembrar que as ervas podem ser ferramentas poderosas que podem somar ao treinamento. Mas, devido aos fortes compostos que podem estar presentes nas ervas, o conhecimento dos potenciais efeitos colaterais e interações com outra ervas, medicamentos e alimentos é essencial. Como exemplo, pesquisadores da Universidade do Kansas recentemente publicaram um estudo mostrando que a gugulsterona , o ingrediente ativo da erva gugulípide , ativa a enzima hepática que cataboliza aproximadamente 60% dos medicamentos vendidos com prescrição (Brobst e col., 2004). Os resultados mostram que os medicamentos afetados pela gugulsterona incluem o medicamento AZT para combater a AIDS, agentes anticancerígenos e as estatinas que reduzem o nível de colesterol. A terapia à base de ervas com gugulípide é comercializada para reduzir o colesterol e pode ser vendida sem prescrição, como um produto à base de ervas. Apesar de não haver pesquisas de alta qualidade em número suficiente para corroborar as hipóteses, há muitas ervas comercializadas para ajudar os atletas alcançarem seus objetivos. Ervas específicas supostamente ajudam no tratamento de alguns problemas médicos como a insônia (ex.: valeriana) ou para acentuar o estímulo da cafeína (ex.: guaraná) ou aliviar a dor articular (ex.: gengibre ou salgueiro-branco). Diz-se que algumas ervas, ex.: rodiola, atuam de maneira direta melhorando o desempenho enquanto outras como o astragalo, cordiceps e equinácea, supostamente melhoram a imunidade ou aceleram a recuperação após enfermidades. É preciso mais pesquisas sobre ervas, saúde e desempenho atlético para que se possa avaliar melhor a eficácia e a segurança. Até que esses estudos sejam realizados, aconselha-se que os atletas evitem tratamentos não-comprovados à base de ervas. Profissionais esportivos trabalhando com atletas também atuam como fontes seguras para ajudá-los na obtenção de informações confiáveis e verdadeiras sobre as ervas. Atletas que procuram melhorar o desempenho atlético, a imunidade ou apenas tratar de um problema de saúde podem mostrar interesse pelo uso de ervas na dieta. As ervas são usadas há muito tempo e é aceitável que algumas representem um benefício para atletas e não-atletas. Entretanto, o número de pesquisas de qualidade sobre ervas, tanto com relação aos efeitos à saúde quanto para melhora do desempenho esportivo, é muito limitado; não há dados científicos que corroborem o uso de qualquer erva para melhorar o desempenho. Ainda assim, muitos estudos – a maioria de baixa qualidade – com uma variedade de ervas apontaram benefícios potenciais, incluindo fortalecimento do sistema imune, redução da inflamação e potencial capacidade para acelerar a recuperação de resfriados comuns e outros problemas de saúde. Regulamentação das ervas Nos Estados Unidos, as ervas são regulamentadas pelo U.S. Food and Drug Administration (FDA) como suplemento nutricional, como parte da legislação aprovada em 1994 sobre Suplementos Nutricionais (Dietary Supplement Health and Education Act - DSHEA). Não há exigências para que as ervas sejam padronizadas e há diferentes interpretações sobre que padrões devem ser seguidos; portanto, há pouca homogeneidade entre os diferentes lotes de produtos provenientes de diferentes fabricantes. Em outras palavras, é quase impossível saber qual é o conteúdo de uma determinada embalagem de ervas. Os atletas devem ser cautelosos quanto à ingestão de ervas com ingredientes não-testados que podem ter efeitos não-comprovados na saúde e no desempenho e que podem causar efeitos colaterais nocivos. Ervas específicas, potenciais benefícios e exemplos de preocupações de segurança A tabela S1 destaca muitas das ervas pelas quais os atletas podem ter interesse em usar a fim de melhorar o desempenho esportivo, tratar de um problema de saúde ou manter o sistema imune e a saúde global nas melhores condições possíveis. Como as ervas costumam conter potentes químicos naturais, é possível que haja interação com outras ervas, alimentos e medicamentos. Se os atletas incorporam ervas no planejamento global de nutrição e desempenho, recomenda-se que haja um trabalho com uma equipe de saúde para monitorar os potenciais efeitos colaterais e as interações entre diferentes ervas e de ervas com medicamentos. Atletas devem buscar pesquisas e recursos que sustentem ou refutem as hipóteses sobre o papel das ervas. Outros elementos-chave incluem garantir que a erva seja segura, confirmar que contenha as quantias recomendadas de ingredientes ativos e determinação da dosagem adequada. Os recursos listados abaixo oferecem informações sólidas para ajudar a responder essas perguntas-chave sobre as ervas. Conclusão Muitas ervas hoje encontradas no mercado são usadas há muito tempo como medicamentos tradicionais, principalmente na Ásia. O desafio para atletas, técnicos e profissionais de saúde trabalhando com atletas é encontrar pesquisas e recursos confiáveis para sustentar ou rejeitar o suposto efeito das ervas. Outros elementos-chave incluem garantir que ela seja segura, confirmando que contenha as quantias recomendadas de ingredientes ativos e determinação da dose adequada. Os recursos listados abaixo oferecem informações sólidas para ajudar a responder essas perguntas-chave sobre o uso de ervas para atletas.
INTRODUCÃO
As ervas contêm químicos denominados fitoquímicos que provavelmente são responsáveis por quaisquer efeitos que elas possam ter. Entre os fitoquímicos, acredita-se que os ingredientes ativos nas ervas sejam os flavonóides, os fenóis, as saponinas e os terpenos. Muitos especialistas em ervas argumentam que uma mistura de fitoquímicos, conhecidos e desconhecidos, presentes em ervas inteiras é responsável por essas funções e que o uso de extratos de apenas um ou mais desses químicos da erva não deve ser tão eficaz quanto o uso da erva inteira.
Uma pesquisa recente com mais de 31.000 adultos nos Estados Unidos revelou que aproximadamente 1/5 dos indivíduos pesquisados (19%) usavam produtos naturais. De acordo com a pesquisa, os dez principais produtos naturais mais populares eram: equinácea, ginseng, ginkgo biloba, alho, glucosamina, erva de São João, hortelã, óleos de peixe/ácidos graxos ômega, gengibre e suplementos à base de soja (Barnes e col. 2004). Os resultados de outras pesquisas apontaram números ainda maiores. O Natural Marketing Institute (NMI), que faz pesquisas sobre o mercado de produtos naturais, fez um seguimento sobre o uso de suplementos na população em geral por seis anos. A pesquisa mais recente realizada pelo NMI é de 2003 e mostra que 34% dos adultos usavam suplementos à base de ervas, o que representa um mercado com mais de 60 milhões de adultos. A pesquisa do NMI também indicava que os usuários de suplementos à base de ervas tinham uma propensão 32% maior de comprar barras energéticas e nutricionais que a população em geral (National Marketing Institute, 2004).
Nos Estados Unidos, as ervas e outros suplementos nutricionais são regulamentados como suplementos dietéticos pelo USDA na lei aprovada em 1994, o Dietary Supplement Health and Education Act . Não se exige que as ervas e outros suplementos nutricionais atendam os mesmos padrões seguidos por alimentos e bebidas. Medicamentos vendidos com ou sem prescrição devem apresentar padrões mais elevados de evidência de segurança e eficácia. Esta é uma preocupação importante para atletas porque é importante pesar o potencial benefício e os riscos de segurança ao se acrescentar ervas ou suplementos específicos à qualquer planejamento nutricional.
REVISÃO DOS ESTUDOS CIENTÍFICOS
Outro estudo analisou a segurança e a eficácia do gel de arnica e placebo, aplicados duas vezes diariamente em 79 indivíduos com osteoartrite de joelho. Depois de três e seis semanas, reduções significativas na dor, rigidez e função foram observadas no grupo tratado com arnica. Os autores concluíram que essa aplicação tópica foi um tratamento seguro, bem-tolerado e efetivo para o tratamento da osteoartrite de joelho leve a moderada (Knuesel e col., 2002).
As únicas publicações disponíveis com atletas avaliaram se a arnica diminuiria dores musculares e danos celulares depois de corrida de longa distância. Quando comparados ao grupo controle, de corredores de maratona, os marcadores de enzimas de danos celulares não foram afetados pela arnica; as dores musculares no grupo que recebeu arnica foi menor imediatamente após a maratona, mas não durante os três primeiros dias de recuperação, quando a dor muscular é praticamente a mais intensa (Tveiten & Bruset, 2003). Estudo anterior sobre dor muscular tardia em corredores de longa distância por Vickers e col. (1998) também não conseguiu provar qualquer benefício da arnica comparada ao placebo.
Algumas pessoas que fazem uso tópico da arnica sofrem sérias irritações de pele (Paulsen, 2002) e isso gerou certa preocupação sobre o potencial da arnica para acentuar as ações de medicamentos anticoagulantes e antiagregantes plaquetários (Heck e col., 2000).
Astragalo
Em indivíduos com baixo número de leucócitos, o astragalo pode aumentar o número de células brancas e níveis de interferon, importantíssimos no combate a vírus (Kurashige e col., 1999). Também observou-se que o astragalo intensifica a atividade dos macrófagos. Esta erva potencialmente aumentaria as ações necrotizantes do tumor da droga, aldesleucina, mas apresenta efeitos adversos em pacientes que tomam imunossupressores, tais como a ciclofosfamida (Memorial Sloan-Kettering, 2005).
Em um pequeno estudo com 12 atletas aleatoriamente separados em grupos recebendo ervas e placebo, uma fórmula com ervas usando astragalo como um de seus diversos ingredientes melhorou a endurance de atletas após oito semanas de tratamento e treinamento de exercícios (Chen e col., 2002). Infelizmente, esse relatório apresenta falhas. Primeiro, a dose de ervas não foi especificada. Segundo, o treinamento de exercícios não foi padronizado; terceiro, o teste de desempenho pré e pós-tratamento usou o teste progressivo de esteira de Balke até a exaustão, que pode ou não ter qualquer relação com o desempenho atlético; e quarto, apenas resultados de análise de variância foram apresentados, ou seja, não se apresentaram os dados de médias e desvio padrão. Da mesma maneira, esse relatório acrescenta pouco ou nada ao conhecimento específico sobre o desempenho atlético e uso de astragalo.
Lim e col. (1997) incluiram 10 gramas de pimenta vermelha no café-da-manhã de atletas homens, corredores de longa distância, e depois monitoraram o metabolismo de energia durante 2,5 horas de repouso e 1 hora de bicicleta ergométrica a 60% do VO 2max . Os autores relataram aumentos na taxa de troca respiratória e na concentração sanguínea de lactato tanto no repouso quanto durante o exercício. Sugeriram que a pimenta malagueta aumenta o metabolismo de carboidratos. Não ficou claro se esse efeito pode ser reproduzido, assim como seu valor para o desempenho atlético, principalmente porque o teste de desempenho foi conduzido a uma intensidade relativamente baixa, semelhante àquela usada em evento com muitas horas de duração, situação na qual pode ser indesejável um aumento na fração de energia fornecida pelo carboidrato.
Atletas podem ter interesse maior pelo potencial da pimenta malagueta para aliviar a dor musculoesquelética. Entretanto, pesquisas disponíveis indicam que poucos indivíduos apresentarão esse alívio. Em uma revisão, observou-se que apenas um em cada oito pacientes tratados com 0,025% de capsaicina conseguiu obter o mínimo de 50% de redução na dor (Mason e col., 2004). Os autores observaram que a capsaicina pode ser útil como monoterapia ou terapia combinada para um pequeno número de pacientes que são refratários ou que são intolerantes a outros tipos de tratamento.
Quando ingerida oralmente, a pimenta malagueta pode causar muitos efeitos colaterais gastrintestinais, inclusive desconforto abdominal e náuseas. Topicamente, pode causar sensação de queimação e de formigamento e pode ser prejudicial se atingir os olhos. Ela pode interagir com diversas medicações, incluindo a teofilina, inibidores da ECA (enzima conversora de angiotensina), sedativos, anti-hipertensivos e acetaminofen (Memorial Sloan-Kettering, 2005).
Há pouca ou nenhuma evidência que o cordiceps tenha algum impacto no desempenho esportivo. Em um estudo com 22 homens, ciclistas treinados para endurance, estudados por cinco semanas, não houve nenhum impacto na capacidade aeróbica ou no desempenho de exercícios de endurance quando suplementados com cordiceps na dose de 3 gramas/dia comparado ao grupo placebo (Parcell e col., 2004). De maneira semelhante, não se observou nenhum efeito em 14 dias de tratamento com suplemento de ervas contendo 800 mg de cordiceps e 300 mg de rodolia no desempenho e nem no VO 2max em exercício progressivo na bicicleta ergométrica (Earnest e col., 2004).
O cordiceps pode reduzir a glicemia, portanto, o monitoramento da glicemia pode ser indicado para atletas usando esta erva. Além disso, o cordiceps pode interagir com os hipoglicemiantes (Memorial Sloan-Kettering, 2005).
A equinácea também é conhecida como flor de cone ou púrpura. É usada oralmente para combater diversas infecções, incluindo herpes genital (HSV, tipos 1 e 2), infecções do trato urinário e infecções por fungos. Topicamente é usada para tratar outras doenças, incluindo o eczema e a psoríase (Natural Medicines Comprehensive Database, 2005).
Resultados de estudos sobre a eficácia da equinácea são controversos. Em revisão recente, Caruso e col. (2005) observaram que os resultados sobre a eficácia da equinácea como tratamento para o resfriado comum eram inconclusivos. Em um estudo com resultados positivos, randomizado, placebo-controlado, sobre a avaliação do extrato de equinácea administrado a 80 pacientes ao primeiro sinal de resfriado, a duração desse foi significativamente menor no grupo que recebeu equinácea (6 dias) que no placebo (9 dias) (Shulten e col., 2001). Entretanto, em estudo mais recente realizado por Yale e Lui (2004), com 128 pacientes com infecções das vias aéreas respiratórias, não se observou nenhuma diferença significativa com relação aos sintomas do resfriado comum entre o grupo que recebeu equinácea e o grupo controle.
Uma dificuldade com relação ao estudo da equinácea é que o composto ativo não foi totalmente identificado. Além disso, em análise recente com 59 produtos com marca de Equinácea, não se encontrou a espécie de equinácea apresentada no rótulo em 48% dos casos e 10% não continham nenhuma quantidade mensurável dessa erva (Gilroy e col., 2003).
Apesar de a equinácea ser geralmente bem-tolerada, relataram-se efeitos colaterais como reações alérgicas, febre, náuseas, dor abdominal e diarréia (Memorial Sloan-Kettering, 2005). A equinácea pode ter efeitos opostos aos dos imunossupressores e poderia interagir com diversos medicamentos, inclusive a lovastatina, cetoconazol e triazolam (Miller, 1998).
Diversos estudos pequenos sobre o uso do sabugueiro no tratamento da gripe mostrou que aqueles que faziam uso de preparações com essa erva se recuperaram, de maneira significativa, mais rapidamente que os pacientes do grupo controle. Em estudo duplo cego, placebo-cntrolado, com 27 adultos e crianças com gripe, os pacientes receberam ou um xarope de sabugueiro ou placebo diariamente por 3 dias (Zakay-Rones e col., 2004). No prazo de dois dias, 93,3% dos tratados com sabugueiro apresentaram melhora significativa dos sintomas, inclusive redução da febre, enquanto 91,7% do grupo placebo melhorou até o sexto dia. Além disso, um nível mais elevado de anticorpos contra gripe foi observado nos pacientes que receberam a solução com sabugueiro que aqueles recebendo placebo.
Um estudo de revisão sobre o sabugueiro realizado pelo Conselho Americano de Botânica (American Botanical Council - 2005) não confirmou nenhuma interação entre drogas, apesar das hipóteses sobre potenciais interações com diuréticos ou laxativos. Apesar de algumas partes do sabugueiro quando cruas, principalmente as raízes, poderem ser venenosas, o consumo de suco de sabugueiro cozido é provavelmente seguro quando usado adequadamente.
Há evidências preliminares de que o gengibre possa ter efeitos modestos no tratamento da osteoartrite. Dois estudos mostraram que a ingestão de 170 mg de extrato de gengibre, 3 vezes por dia ou 225 mg, duas vezes por dia, por 3-6 semanas resultou em leve melhora da dor após ficar em pé ou caminhar e na rigidez das articulações em alguns pacientes (Altman & Marcussen, 2001; Marcus & Suarez-Almazor, 2001).
Usado em doses típicas, o gengibre é bem tolerado. Doses altas de 5 gramas por dia ou mais aumentam o risco dos efeitos colaterais (Natural Medicines Comprehensive Database, 2005). É possível que haja interações com outras ervas (ex.: alho, gingko, cúrcuma), o que poderia afetar a agregação plaquetária, e com anticoagulantes, hipoglicemiantes orais e bloqueadores de canal de cálcio.
Como observado por Williams (1998), muitas das alegações sobre o aumento de energia e desempenho associados à suplementação de ginseng baseiam-se em estudos realizados na década de 1960 e de 1970, com poucos estudos randomizados e placebo-controlados. Apesar de alguns estudos apresentarem melhorias significativas no desempenho físico ou psicomotor com doses mais elevadas (padronizadas para conter teor de ginsenosídio equivalente a quantias > 2 gramas da raiz seca por dia), com pelo menos oito semanas de duração e amostras grandes, outros estudos não conseguiram comprovar esses benefícios (Bucci, 2000). Como por exemplo, Liang e col. (2005) compararam o desempenho sobre a resistência de ciclismo à baixa intensidade em indivíduos não-treinados antes e depois da ingestão de cápsulas contendo placebo ou 1.350 mg de Panax não-ginseng diariamente por 30 dias. Os autores concluíram que o suplemento de ginseng, mas não o placebo, melhorou o tempo de resistência até a exaustão. Ainda não está claro se o efeito benéfic na resistência de exercício ergométrico à baixa intensidade seria traduzido em melhor desempenho atlético.
Em relatório negativo, Engels e col. (2003) não observaram efeito do ginseng Panax no desempenho do teste de Wingate de 30 segundos, recuperação da freqüência cardíaca ou imunoglobulina salivar.
Resultados do estudo de Cabral de Oliveira e col. (2001) não apontaram redução dos níveis de atividade de enzima associada à inflamação quando o ginseng Panax foi administrado a seres humanos. Os autores especularam que o ginseng pode atuar na redução da lesão muscular e da inflamação após o exercício.
O ginseng siberiano ( Eleutherococcus senticosus, Acanthapanax senticosus ) também é tradicionalmente comercializado e usado como potencializador do desempenho e como imunoestimulante, com compostos ativos que incluem os eleuterosídios e os polissacarídios. O ginseng siberiano também é conhecido como raiz russa. Em estudo realizado em 1996 no qual monitorou-se o uso dos compostos de ginseng siberiano (extrato de eleutero), por seis semanas, em 20 corredores de distância altamente treinados, não se observou nenhuma diferença significativa na freqüência cardíaca, captação de oxigênio, concentrações sanguíneas de lactato, tempo para exaustão no teste da esteira ergométrica ou taxas de esforço percebido (Dowling e col., 1996). Resultados semelhantes foram relatados por Eschbach e col. (2000), que avaliaram as respostas fisiológicas à suplementação com Eleutherococcus senticosus em nove ciclistas treinados em endurance. Nem a utilização estável do substrato nem o tempo para pedalar 10 km melhoraram o ginseng siberano.
O ginseng pode causar distúrbios digestivos e interagir com diversos medicamentos, incluindo os inibidores da monoamina oxidase (IMAO), insulina, digoxina e anticoagulantes. Também pode ser contra-indicado para indivíduos com hipertensão (Memorial Sloan-Kettering, 2005).
Também conhecida como pé-de-cavalo e pata-de-cavalo, parece reduzir o edema e o acúmulo de líquidos nas pernas e nos tornozelos de pacientes com comprometimento da função venosa (Cesarone e col., 2001). Em estudo com 94 pacientes com insuficiência venosa nos membros inferiores, observou-se melhora significativa na sensação de peso nos membros inferiores e de edema em pacientes tomando uma mistura com centelha asiática (60 mg ou 120 mg por dia de extrato titulado desta erva) vs. placebo (Pointel e col., 1987).
A centelha asiática também pode afetar o tecido conectivo aumentando a formação de colágeno e síntese de glicosaminoglicanas e diminuindo a inflamação (Memorial Sloan-Ketting, 2005). A maioria desses estudos foi realizada em animais de laboratório.
Os triterpenóides encontrados na centelha asiática parecem ser os componentes ativos envolvidos na cicatrização de feridas e queda da pressão venosa. A centelha não contém cafeína e, portanto, não tem propriedades estimulantes. A centelha asiática pode teoricamente interferir com hipoglicemiantes orais e drogas antilipidêmicas.
Antes de a efedra ser proibida nos Estados Unidos, o guaraná era encontrado combinado a ela em suplementos para perda de peso. Em estudo com 8 semanas de duração, 67 participantes receberam suplementos com 72 mg de efedra e 240 mg de cafeína provenientes de guaraná ou de placebo por dia. O grupo de tratamento perdeu uma média de 4,0 kg comparados aos 0,4 kg perdidos pelo grupo placebo (Boozer e col., 2001). Entretanto, é preciso mais estudos para confirmar se o guaraná consegue induzir a perda de peso. O guaraná contém 3,6% a 5,8% de cafeína comparada a 1% ou 2% presentes no café (Natural Medicines Database, 2005). O guaraná também contém os alcalóides teofilina e teobromina, taninos e saponinas.
Os efeitos colaterais do uso do guaraná são semelhantes aos da cafeína, tais como hipertensão, ansiedade, cefaléia e estimulação cardíaca. Acredita-se que o guaraná tem o potencial de interagir com diversos tipos de suplementos e medicamentos, incluindo suplementos contendo cafeína, efedra, inibidores da monoamina oxidase (IMAO), adenosina, clopazina, lítio, anticoncepcionais orais e acetaminofen (Memorial Sloan-Kettering, 2005).
A maioria das pesquisas sobre esta erva não foi publicada em inglês, mas a literatura disponível nesse idioma oferece algum esclarecimento sobre sua capacidade de ajudar o organismo a adaptar-se ao estresse (Kelly, 2001).
Em estudo recente, De Bocke col. (2004) investigaram os efeitos da suplementação aguda e por 4 semanas de 200 mg de doses de extrato de Rhodiola rosea na resistência durante uma tarefa de ciclismo progressivo, consumo máximo de oxigênio durante o teste, força muscular, velocidade dos movimentos dos membros, tempo de reação e atenção. Os autores relataram que após a ingestão aguda da erva, houve aumento significativo de 24 segundos na resistência para uma tarefa de ciclismo de 17 minutos e um pequeno aumento correspondente no consumo máximo de oxigênio. Não se observou nenhum efeito nas outras variáveis em estudo agudo e nenhum efeito em outras variáveis, inclusive endurance, quando a erva foi administrada durante as 4 semanas de suplementação. Em outro estudo negativo, Earnest e col. (2004) administraram um suplemento de ervas que continha 300 mg de rodiola e 800 mg de cordiceps a indivíduos por 14 dias e não se observou nenhum efeito no VO2 max nem na resistência em exercício progressivo na bicicleta ergométrica.
A rodiola não tem nenhum efeito colateral adverso óbvio, mas poderia potencialmente interagir com os inibidores da monoamina oxidase.
A suposta capacidade da valeriana de reduzir o tempo para adormecer e melhorar a qualidade do sono pode ser de interesse dos atletas. (Natural Medicines Database, 2005). Em estudo com resultados negativos, Diaper e Hindmarch (2004) avaliaram adultos mais velhos com distúrbios do sono e não observaram nenhum benefício de doses únicas, seja de 300 mg ou de 600 mg de valeriana, sobre a duração do sono, atividade cerebral durante o sono ou qualquer outra medida psicométrica registrada ao despertar.
O uso da valeriana a longo prazo foi associado com doenças hepáticas. Reações adversas podem incluir cefaléia, desconforto, distúrbios cardíacos, náuseas matinais e comprometimento no estado de alerta. Há potenciais interações com álcool, com outras ervas e com drogas com propriedades sedativas.
Biegert e col. (2004) compararam o salgueiro branco em quantidade equivalente a 240 mg de salicina com placebo e com diclofenac (um antiiflamatório não-esteroidel ou AINES), durante um estudo de seis semanas com pacientes com osteoartrite ou artrite reumatóide e não encontraram nenhuma diferença nas escalas de dor entre o placebo e o salgueiro branco enquanto o grupo que recebeu diclofenac apresentou redução da dor. Resultados diferentes foram relatados por Schmid e col. (2001), que administraram placebo ou salgueiro branco, padronizados para oferecer 240 mg de salicina diariamente por 2 semanas em 78 pacientes com osteoartrite. Os autores observaram redução da dor articular no grupo que recebeu salgueiro branco comparado ao placebo. Em estudo de quatro semanas, com 191 pacientes com dor lombar, um número maior de indivíduos recebendo extrato oral de salgueiro branco com 120 mg ou 240 mg de salicina não apresentou dor, comparado ao grupo placebo (Chrubasik e col., 2000).
O salgueiro branco é contra-indicado em indivíduos que têm alergia ou intolerância à aspirina ou a antiinflamatórios não-esteroidess (AINES). A erva também pode aumentar as ações de anticoagulantes e AINES.
Outra erva bastante vendida para atletas é a Tribulus terrestris, também conhecida como videira da punctura. Diz-se que ela aumenta os níveis de testosterona. Entretanto, em um dos poucos estudos publicados sobre o Tribulus em atletas, Antonio e col. (2000) não observaram nenhuma diferença entre as oito semanas de treinamento de força , acompanhadas de placebo ou de administração da erva, na composição corporal, no desempenho dos exercícios de resistência ou no humor. Obviamente não há informações confiáveis suficientes sobre a eficácia do Tribulus.
RESUMO
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OS SUPLEMENTOS À BASE DE ERVAS MELHORAM O DESEMPENHO?
