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Reposição de Fluídos: Posição do Colégio Americano de Medicina

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MURRAY B. Reposição de Fluídos. Posição do Colégio Americano de Medicina do Esporte. Sports Science Exchange. Gatorade Sports Science Institute , v. 9, n. 3, jul/ago. 1997. Disponível em: http://www.gssi.com.br/. Acesso em xx.xx.200x.

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Autores: Bob Murray

Principais tópicos

- Pesquisas científicas recentes têm demonstrado os benefícios fisiológicos e vantagens no desempenho quando o indivíduo é bem hidratado, antes, durante e após a atividade física.
- A manutenção do estado hidratado necessita de um planejamento por parte do atleta no sentido de mudar seu comportamento com relação à ingestão de líquidos durante o treinamento.
- A quantidade de fluido ingerido voluntariamente durante a atividade física é afetada pela palatabilidade da bebida, sua composição e comodidade no uso. Esses fatores devem ser levados em consideração quando for planejado o regime de reposição de fluidos.
- O objetivo da ingestão de fluidos durante o exercício é repor as perdas decorrentes da sudorese. Os benefícios fisiológicos e no desempenho com esta prática está bem documentado.
- Para uma reidratação rápida e completa após o exercício se faz necessária a ingestão de cloreto de sódio para repor aquele perdido através do suor e o consumo de fluido deve ser superior à perda de suor.


Introdução

No seu livro intitulado "Physiology of Man in the Desert" E.F. Adolph e seus associados descrevem com perícia o impacto negativo da desidratação nas funções fisiológicas, no desempenho físico e na saúde (Adolph et al, 1947). Suas pesquisas demonstram exaustivamente que a prevenção da desidratação pela ingestão regular de fluidos é uma medida importante para assegurar o bem-estar físico e mental. Infelizmente, passaram-se mais de duas décadas para que o valor da reposição regular de fluidos durante a atividade física fosse amplamente reconhecida e aplicada por atletas. Durante esse período, dezenas de atletas e militares morreram por hiportermia devido à desidratação (Baumann, 1995). Além dos atletas ,outras pessoas continuam a sofrer de insolação, porém a freqüência de mortes tem diminuído drasticamente através dos anos (Baumann, 1995). Isto se deve em grande parte ao reconhecimento da necessidade de reposição de fluidos.
Ainda que informações sobre ingestão de fluidos sejam encontradas em livros básicos, dadas em aulas e ensinadas durante a prática de atividades físicas, estas recomendações pecam pelas generalidades. Como exemplo, temos documentos emitidos pelo Colégio Americano de Medicina do Esporte (1987), pelo Serviço Militar Americano (Marriott e Rosemont, 1991) e pelo Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional (1986) que informam sobre a necessidade de reposição de fluidos e as linhas gerais que devem ser obedecidas. No caso do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM), as informações estão em um documento intitulado "Prevenção e injúrias térmicas durante corridas de longa distância" e posiciona a entidade ao problema (ACSM, 1987). O Artigo publicado pela ACSM infatiza a necessidade de ingestão regular de fluidos durante provas de 10Km ou mais e estimula os corredores a ingerirem de 100 a 200 ml de fluido em cada posto de auxílio. Para a saúde publica esta recomendação é importante porque ela obriga os organizadores de eventos esportivos a incluírem postos auxiliares quando da organização do evento e para os participantes dá a oportunidade de se hidratarem. Entretanto, dependendo da velocidade dos corredores, da distância entre um posto e outro e do volume de fluido ingerido, que pode ter grandes variações, a reposição do suor perdido não pode ser assegurada.
Essa incerteza foi expressa no posicionamento mais recente do Colégio Americano de Medicina do Esporte. A posição atual do ACMS publicada sob o título: "Exercício e Reposição de Fluidos" (ACSM, 1996) fornece uma orientação com respeito à reposição de fluidos, carboidratos e eletrólitos. Para preparar essas recomendações foi organizado um grupo de trabalho composto por especialistas em homeostase de fluidos e áreas afins que culminou numa compreensiva revisão da literatura, demonstrando a importância de cada recomendação através de pesquisas científicas. Como resultado, o trabalho do ACSM deve ser aceito de modo geral e em especial pela comunidade científica.


Recomendações do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM)

A posição adotada pelo ACSM contém um sumário de recomendações práticas, baseadas numa revisão de 4 páginas e complementada por 92 referências bibliográficas. O documento recomenda a reposição adequada de fluidos para a manutenção da hidratação e por outro lado, promover a saúde, segurança e ótimo desempenho aos participantes de programas de atividades físicas.
A finalidade deste SSE é ir mais longe e ressaltar a relevância prática e científica das recomendações do ACSM para técnicos, treinadores, médicos, nutricionistas e atletas, com isso, os mesmos poderão se beneficiar do valor que a boa hidratação oferece durante a atividade física. As recomendações do ACSM são ressaltadas a seguir e suplementadas com informações práticas e científicas.


Ingestão de fluídos antes do exercício

"Recomenda-se que os indivíduos consumam uma dieta nutricionalmente balanceada e bebam quantidades adequadas de fluidos durante as 24 que precedem o evento, especialmente durante o período entre a ultima alimentação e o exercício. Esta recomendação visa promover uma boa hidratação antes do exercício ou da competição".

Os benefícios fisiológicos no desempenho de atletas em treinamento ou competição quando estão bem hidratados e apresentam uma boa reserva muscular de glicogênio já é bem documentada e aceita no meio científico. Do ponto de vista do balanço hídrico, quando o atleta compete em estado de desidratação ele já entra em desvantagem (Sawka, 1992). Em um estudo realizado por Armstrong et al em 1985, atletas correram 5.000 metros (~19 min.) e 10.000 m (~40 min.), em duas situações: normalmente hidratados e desidratados. Quando a desidratação foi de ~2% do peso corporal (foi ministrado um diurético antes do exercício) a sua velocidade decresceu significativamente (6% a 7%) tanto nos 5.000 m como nos 10.000 m. Para qualificar melhor a situação, o exercício praticado em ambientes quentes exacerbam os efeitos da desidratação e o desempenho é prejudicado (Sawka et al, 1984).
Ainda hoje, modificar o comportamento de atletas quanto ao hábito de beber é um grande desafio e é necessário convencê-los cientificamente da importância para suas carreiras. O Dr. Ron Maughan, cientista do esporte da Universidade de Aberdeen (Escócia) e também assessor, em 1996, da delegação Britânica nos Jogos Olímpicos, orientou os atletas a se educarem quanto ao hábito de beber na hora das refeições e quanto a como se comportar com a ingestão de líquidos durante o período de treinamento, em Tallahasse na Flórida. Não acostumados aos hábitos alimentares das Universidades Americanas, os atletas Britânicos estavam perdendo uma grande oportunidade de se reidratarem após um treino num ambiente quente. Após conversas, começaram a ser mais agressivos quanto à ingestão de líquidos (R.J. Maughan, comunicação pessoal).

"Recomenda-se que os indivíduos bebam cerca de 500 ml de fluidos cerca de 2h antes do exercício, para promover uma hidratação adequada e dar um intervalo para que o excesso de água seja eliminada".

Em pesquisa laboratorial, pessoas que ingeriram líquidos na hora do exercício, apresentaram uma temperatura interna menor e também uma menor freqüência cardíaca durante o período de exercícios comparativamente com aqueles que não ingeriram fluidos (Greenleaf e Castle, 1971; Moroff e Bass, 1965). Estas respostas fisiológicas são inegavelmente benéficas para reduzir a percepção do treino em sobrecarga (Montain e Coyle, 1992). Quando os atletas vivem e treinam em ambientes quentes, o volume ingerido "ad libitum", antes do exercício, não deve ser superestimado. Estes são os resultados obtidos em um estudo feito com jogadores de futebol de Porto Rico (Rico-Sanz et al, 1996). Os atletas foram estudados durante duas semanas de treinamento. Quando os atletas tinham acesso liberado aos fluidos bebiam durante o dia 2,7 L, sendo que a quantidade foi de 1,1 L inferior à perdida pelo corpo; na segunda semana os mesmos passaram a ingerir 4,6 L por dia, volume considerado ideal. Em outras palavras, o consumo voluntário de fluidos foi insuficiente para as necessidades diárias dos atletas, promovendo uma desidratação tanto nos treinos quanto nos jogos.
Do ponto de vista prático, a freqüência e cor da urina, assim como o volume devem ser acompanhados, pois estes dados auxiliam na avaliação do estágio de desidratação. Urinar poucas vezes, pequeno volume e com colaboração escura indicam um estado de desidratação, portanto o atleta deve continuar a beber antes de iniciar o exercício. A monitoração da excreção urinária é uma das recomendações mais comuns nas atividades ocupacionais, como na indústria de mineração na qual os trabalhadores ficam expostos a condições atmosféricas adversas como calor excessivo e elevada umidade do ar.

Ingestão de fluídos depois do exercício

"Durante a prática esportiva, os atletas devem começar a beber cedo e em intervalos regulares no intuito de consumir fluidos em uma freqüência que possa repor a água perdida através da sudorese ou, então, consumir o máximo tolerável".

Esta é talvez a recomendação mais importante no posicionamento do ACSM, pelo fato de identificar claramente que o objetivo ideal da ingestão de fluidos durante o exercício é o de prevenir qualquer nível de desidratação e reconhecer que é difícil de ser atingido. A importância de manter o organismo plenamente hidratado está bem documentado nos trabalhos de Montain e Coyle (1992) e de Walsh et al (1994). Estes pesquisadores demonstram que as respostas cardiovasculares, termoreguladoras e do desempenho são otimizadas quando ocorre a reposição de 80% da sudorese ocorrida durante o exercício.
Montain e Coyle (1992) demonstraram em seus estudos que a ingestão de grandes volumes de líquidos está associada ao maior débito cardíaco, aumento no fluxo sangüíneo periférico, diminuição da temperatura interna e diminuição na percepção dos exercícios. Os resultados de Walsh et al (1994) reafirmaram que a desidratação, mesmo que pequena (1,8% do peso corporal) pode alterar o desempenho esportivo.
Estas alterações fisiológicas e no desempenho que ocorreram em estados de desidratação podem ser melhor entendidas quando consideramos as limitações que acontecem no sistema cardiovascular. No seu trabalho "Human Circulation: Regulation during Physical Stress", o fisiologista cardiovascular L.B.Powel escreveu: "Talvez o maior estresse imposto ao sistema cardiovascular humano (com exceção de hemorragia severa) é a combinação do exercício com a hipotermia. Juntos esses agentes estressantes provocam modificações perigosas no organismo, principalmente em atletas altamente motivados que se expõem a situações ambientais muito quentes.
A longa lista de casos fatais testemunham a gravidade do problema e a aceitação de várias organizações em reconhecer e concordar com a sua efetividade (Rowell, 1986). As recomendações de Rowell são drásticas, porém explicam com precisão o que ambos, exercício e hemorragia, requerem do corpo para que se proteja da diminuição progressiva do volume e da pressão sangüínea. Embora as reações fisiológicas ocorram rapidamente nos casos de hemorragias, nos casos de desidratação o evento tem uma evolução mais lenta. "Recomenda-se a ingestão de fluidos com temperatura inferior à ambiental (entre 15ºC a 22ºC) e flavorizado para acentuar a palatabilidade e conseqüentemente estimular sua ingestão. Os fluidos devem ser de livre acesso e embalados em volumes adequados para serem facilmente ingeridos com uma interrupção mínima do exercício".
Certamente não é surpresa que o ser humano está inclinado a ingerir fluidos flavorizados e adocicados (Greenleaf, 1991), mas as implicações práticas deste conhecimento e bom senso comum é importante no estabelecimento do esquema de treinamento. Cada passo dado no sentido de aumentar a ingestão voluntária de fluidos ajudará na diminuição dos casos de desidratação e, como conseqüência, redução nos riscos para a saúde causados por problemas associados à perda de líquidos e estresse do calor. Em adição ao fornecimento de líquidos cada vez mais palatáveis para os atletas, alguns outros aspectos devem ser encarados. Estes incluem a educação dos técnicos, treinadores, parentes e atletas a respeito dos benefícios da hidratação adequada, garantir que os fluidos estejam sempre e facilmente disponíveis, e também pesar os atletas antes e após o treinamento para assim assegurar uma ingestão realmente efetiva (Broad, 1996).
A composição da bebida deve também ter seu efeito no consumo voluntário, como ficou muito claro na pesquisa de Wilk e Bar-Or (1996). Jovens do sexo masculino foram submetidos a um treinamento intermitente por 3 h num ambiente quente, durante este período a bebida era oferecida "a libitum". Os jovens completaram o protocolo em três etapas; as bebidas incluíam: água, bebida para esportista e uma bebida flavorizada e adoçada artificialmente, similar à bebida para esportista (placebo).
Os resultados demonstraram que os jovens ingeriram duas vezes mais a bebida para esportista do que água. O consumo do placebo ficou em uma situação intermediária. Isto demonstra que além do sabor outros fatores podem estimular a ingestão de fluidos como o cloreto de sódio presente na bebida para esportistas, isto porque os jovens beberam mais bebida para esportistas que seu placebo.
O mecanismo da sede é sensível às concentrações plasmáticas de sódio, à osmolalidade e a seu volume (Hubbard et al, 1990). O aumento na concentração de sódio e diminuição do volume sanguíneo resulta num aumento na percepção da sensação de sede. Se a ingestão for somente de água rapidamente desaparece a vontade de beber devido à pressão osmótica e reduz também o volume a ser bebido, causando o desaparecimento da sensação da sede. Como resultado, ocorre um decréscimo prematuro na ingestão de fluidos, portanto, antes da reposição adequada de líquidos.
A presença de pequenas quantidades de cloreto de sódio ajuda a manter a pressão osmótica orientada para a sensação de sede e garante a ingestão de um volume maior de líquidos (Nuse et al, 1988). A fisiologia do fenômeno certamente é bem entendida pelos "Bartenders" (atendentes de bares) que colocam à disposição dos usuários um fácil acesso ao sal através do oferecimento de "salgados".

"A adição de quantidades adequadas de carboidratos e/ou eletrólitos aos fluidos para reposição hídrica é recomendado para esportes que tenham mais de 1 hora de duração, uma vez que esta prática não prejudica o fornecimento de água para o organismo e pode melhorar o desempenho".

O efeito ergogênico da ingestão de carboidratos durante o exercício já foi consistentemente demonstrada em inúmeros experimentos, muitos dos quais foram efetuados utilizando etapas de treinamento com duração de uma a 4 h ou mais (Coggan e Coyle, 1991). A ingestão de soluções de carboidratos contendo combinações de sacarose, glicose, frutose e maltodextrina demonstrou que quando 45g de carboidrato era ingerida por hora, ocorria uma significante melhora no desempenho atlético (Coggan e Coyle, 1991).
Este fato, ou seja, melhora no desempenho atlético, pôde também ser observado mesmo quando os pesquisadores (Murray et al, 1991) forneceram entre 20 a 25g por hora; contudo a ingestão de quantidades mais elevadas de carboidratos é recomendada.
Salienta-se que a velocidade de utilização do carboidrato pelo organismo é da ordem de 60 a 75g/hora ou seja, de 1 a 1,5g/minuto. Não foi observada nenhuma vantagem com quantidades de carboidratos superiores (Murray, 1991).
O(s) mecanismo(s) específico(s) que o organismo utiliza para melhorar o desempenho quando é fornecido o carboidrato ainda é motivo de pesquisa, mas existe uma concordância geral que tal fato ocorre porque é liberado maior quantidade de combustível para os músculos (Coggan e Coyle, 1991). Durante uma atividade física intensa, a demanda metabólica de carboidratos é elevada; a sua ingestão assegura parte dessa demanda, ajudando na manutenção do processo de oxidação.
"Durante a prática esportiva com duração inferior a 1 hora existem poucas evidências fisiológicas ou físicas entre aqueles que ingeriram um fluido composto de carboidratos e eletrólitos e a ingestão de água".

Durante os exercícios de longa duração (mais de 1 h) a degradação dos carboidratos em nível muscular tende a diminuir devido ao declínio nos níveis hepático e muscular de glicogênio. Considerando este aspecto, não é surpresa que os cientistas inicialmente procurem estudar as necessidades de carboidratos em sessões de longa duração como ciclismo ou corrida.
Somente recentemente, os pesquisadores voltaram suas atenções para o estudo do papel dos carboidratos no metabolismo durante sessões de curta duração (menos de 1 h) e se seu efeito seria similar aos de longa duração. Poucos foram os estudos apresentados sobre esse assunto nas recomendações do ACSM de 1996. Porém, muitos estudos estão sendo completados aumentando o acervo científico (Ball et al, 1995; Below et al 1995; Wagen Makers et al, 1996; Walsh et al, 1994) e que tem demonstrado que a ingestão de carboidratos promove benefícios no desempenho em esportes de curta duração (1 hora ou menos) e durante exercícios intermitentes de alta intensidade como corridas (Nicholas et al, 1996), ciclismo (Jackson et al, 1995) e tênis (Vergauwen et al 1996).
Um trabalho excelente, comparado a ingestão de água e bebida para esportistas, em esportes de curta duração foi feito por Below et al (1994) no qual os indivíduos pedalaram durante 50 min. a um VO2max de 80% e completaram o trabalho com uma arrancada final que durou de 9 a 12 min.. Os atletas tiveram uma melhoria de 6% no seu desempenho quando ingeriram apenas água em um volume que correspondia a 80% das perdas pela sudorese (1330 ml) comparativamente, quando a ingestão de água foi de apenas 200 ml. Porém, quando os atletas ingeriram 330 ml de uma bebida para esportistas a melhoria no seu desempenho foi de 12%. Os autores concluem que a ingestão de eletrólitos e carboidratos é benéfica para o desempenho atlético.
Os benefícios da hidratação através da ingestão de bebidas contendo carboidratos tem sido demonstrada por diversos pesquisadores e ecoaram favoravelmente entre os atletas pesquisados. O Dr. Eduard Coyle da Universidade do Texas notou que atletas de ciclismo que participaram de seus experimentos concluíram que beber é fundamental para sobreviver no calor do Texas. O que eles normalmente não notam é que estando bem hidratados, a sua performance será melhor, portanto, não seria apenas uma questão de sobrevivência. Após terem observado através de nossos estudos, ficaram surpresos pois, após a reposição de fluidos eles se sentiam melhor, mais frios e com uma freqüência cardíaca menor e, conseqüentemente, apresentavam melhor desempenho, portanto, passaram a utilizar este processo" (E.F.Coyle - comunicação pessoal).
"Em exercícios constantes, com duração superior a 1 hora é recomendável que a ingestão de carboidratos ocorra numa freqüência de 30 a 60g/hora, para manter o sistema oxidativo metabólico e assim, retardar a fadiga. A ingestão de carboidratos deve ser feita sem prejuízo da ingestão de fluidos que deve ser de 600 a 1200 ml/hora e as soluções devem conter entre 4 a 8% de carboidratos. O carboidrato utilizado pode ser açúcar (glicose sacarose) ou amido (maltodextrina)".
Como já foi previamente dito, a ingestão de carboidratos à razão de 60g/hora durante o exercício está diretamente relacionada com a melhoria do desempenho atlético. Considerando-se que a maior parte das bebidas para esportistas contém 6 a 7% de carboidratos (ou seja 60 a 70g/l), o consumo de 1 L (dose) de bebida para esportista por hora, fornecerá a quantidade necessária de carboidratos. Porém, em alguns casos, a sudorese é muito intensa a superior a 1l/hora (Broad et al, 1996) e o atleta deve beber mais de 60g por hora de carboidrato não provoca desconforto gastrintestinal, não altera as funções fisiológicas e o desempenho, pois a quantidade maior de carboidratos ingerida através das bebidas para esportistas não é tão grande, já que as soluções apresentam baixa concentração. As bebidas contendo quantidades superiores a 7% (cerca de 17g/copo) pode provocar uma diminuição na velocidade de absorção intestinal (SHI et al, 1995) o que aumenta o risco de mal estar gastrointestinal (Davis et al, 1988; Peter et al, 1995).
As bebidas esportivas contém, via de regra, mais de um tipo de carboidrato e geralmente apresentam combinações de sacarose, glicose, frutose e maltodextrina. Essas combinações são aceitáveis quer do ponto de vista sensorial, quer do ponto de vista fisiológico. As bebidas que contém apenas frutose não são indicadas devido ao fato da frutose não são indicadas devido ao fato da frutose ser absorvida mais lentamente a nível intenstinal (SHI et al, 1995) e, é convertida em glicose no fígado, antes de ser metabolizada pelos músculos, tornando, portanto, a frutose pouco efetiva com fonte de energia para o desempenho atlético (Murray et al, 1989).
Os indivíduos que participaram de pesquisas nas quais foi oferecido somente solução de frutose para a reidratação reclamaram desta, pois apresentaram mal-estar gastrintestinal, diarréia e vômito.
"A inclusão de 0,5 a 0,7 de sódio por L de solução reidratante para ser ingerida em esportes com duração superior a 1 hora é recomendável, uma vez que o sódio apresenta várias vantagens, como a de melhorar a palatabilidade, promover maior retenção hídrica e prevenir a hiponatremia em pessoas que bebem quantidades excessivas. Existem poucas evidências científicas sobre o papel do sódio em melhorar a absorção de água, visto que grandes quantidades deste íon são ingeridas durante as refeições que antecedem um evento".
O teor de sódio e cloreto no suor é superior ao de outros minerais, porém esses valores são significativamente menores do que aqueles encontrados no plasma (plasma = de 138 a 142 mmol/l; suor = de 25 a 75 mmol/l). Os atletas que se exercitam intensamente duas 2 h por dia, perdem quantidades substanciais de cloreto de sódio. Considerando-se um atacante de futebol americano, este perde um total de 5 L de suor, quando a prática ocorre no verão. Cada L de suor contém, em média, 50 mmol de sódio, o total de sódio perdido é da ordem de 5.750 mg ou o equivalente a 14g de cloreto de sódio.
A ingestão de alimentos vem sempre acompanhada de cloreto de sódio, por isso, a maior parte das pesquisas demonstram serem raros os casos de deficiência de sódio em atletas e militares (Armstrong et al, 1987). Entretanto, em algumas ocasiões, podem ocorrer grandes perdas de sódio, como a descrita por Bergeron (1996), estudando um tenista ranqueado a nível nacional, que sofria constantemente de cãibras. Este jogador apresentava dois problemas: uma grande produção de suor (2,5l/h) e uma concentração de sódio no suor acima do normal (90 mmol/l). As cãibras foram eliminadas quando elevou-se a ingestão de sódio como cloreto de sódio 5 a 10g/dia para 15 a 20g/dia e também se aumentou a ingestão de fluidos para assegurar a hidratação.
O posicionamento do ACSM também é a favor da ingestão de cloreto de sódio através dos fluidos, pois seu consumo durante o exercício garante a ingestão de quantidades adequadas de líquidos (Wilk e Bar-Or, 1996) que garante uma hidratação após o exercício (Maughan et al, 1996). Esta garante uma resposta osmótica para beber e promove um estímulo para a retenção dos líquidos extracelulares.
Em uma pesquisa recente Gisolfi et al, 1995 demonstraram que a reposição de fluidos através da ingestão de líquidos não é afeta diretamente pela presença de sódio. Este fato é explicado porque a quantidade de sódio fornecida pelas bebidas isotônicas é minúscula, quando comparada com o teor desse íon no sangue. O sódio plasmático se difunde livremente no trato intestinal após a ingestão de fluidos, isto porque o gradiente de concentração entre o sódio plasmático e o conteúdo deste no intestino favorece fortemente o influxo do sódio. O conteúdo de sódio nos alimentos, e aquele presente nas secreções pancreáticas são de pequena importância na absorção de fluidos. A presença de sódio nas bebidas formuladas promove a manutenção da palatabilidade e ajuda a manter a sede osmótica, reduz a contribuição do plasma no fornecimento de sódio ao intestino antes da absorção, ajuda a manter o volume plasmático durante o exercício e serve como primeiro impacto osmótico para restaurar o volume extracelular após o exercício (Maughan et al, 1996; Nose et al, 1988).

Ingestão de fluídos após o exercício

A ingestão de fluidos após a atividade física é um fator importante para auxiliar os atletas na recuperação rápida entre as séries de treinamento ou competição. Muitos atletas treinam mais de uma vez ao dia e a reidratação rápida é importante, principalmente, quando as condições ambientais são quentes. A recomendação do ACSM não faz referências à ingestão de líquidos após a prática esportiva. Porém, em artigo recente, publicado no Sport Science Exchange, Maughan et al (1997) apresentou uma revisão compreensiva sobre esse tópico. Os autores concluíram que a ingestão de água não é eficiente na restauração do estado de hidratado; a ingestão somente de água diminui a osmolidade plasmática, suprindo a sensação de sede e aumentando a eliminação de urina. Quando o sódio é adicionado ao fluido, a sede osmótica é mantida (Gonzáles - Alonso et al, 1992; Nose et al, 1988) e a produção de urina diminui. Existem muitas ocasiões durante o treinamento ou mesmo competição que a ingestão de alimentados é difícil ou mesmo desaconselhada, tornando importante para os atletas o acesso a fluidos que contém cloreto de sódio e outros eletrólitos.
Maughan et al (1996) também enfatizam a importância da ingestão de um excesso de fluido para compensar as perdas urinárias. Em outras palavras, a advertência feita aos atletas é a seguinte: "Beba o volume de fluido que corresponda ao peso perdido", e que pode ser enfatizado "beba no mínimo o volume correspondente ao peso perdido". A determinação exata de quanto os atletas devem beber para se reidratarem ainda não está satisfatoriamente demonstrada e necessita de mais pesquisas. Existem dados que preconizam a ingestão de 150% ou mais do peso perdido para garantir uma hidratação até 6 h após o exercício (Shirreffs et al, 1996).

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DETERMINAÇÃO DA SUDORESE

Beber líquidos durante o exercício para manter a produção constante de suor ajuda os atletas a sentirem-se bem e a trabalharem arduamente. Devido ao fato que a produção de suor varia muito é interessante que os atletas saibam quanto de suor perderam durante os treinos e/ou competição. Conhecendo quanto de suor foi perdido durante a hora de atividade física ele pode saber quanto de fluido deve ser reposto. Apresentamos aqui algumas etapas simples para determinar a quantidade de suor perdida durante uma hora de exercício.

No exemplo dado abaixo, Kelly K. deve beber cerca de 1 litro de fluido por hora para se manter hidratado.