Mesa Redonda
Edição 6 :: SUPLEMENTOS À BASE DE ERVAS E DESEMPENHO NOS ESPORTES

Sport Science Exchange Roundtable 50
VOLUME 13 (2002) NÚMERO 4
SUPLEMENTOS À BASE DE ERVAS E DESEMPENHO NOS ESPORTES


Ellen Coleman, M.P.H., M.A., R.D.
Nutricionista do Esporte
The Sports Clinic
Riverside, Califórnia

Suzanne Nelson-Steen, D.Sc., R.D.
Diretora dos Serviços de Nutrição Esportiva
Departamento de Esporte Universitário
University of Washington
Seattle, Washington

Ron Maughan, Ph.D.
Professor de Fisiologia
University Medical School
Foresterhill
Aberdeen
Scotland


Rob Skinner, M.S., R.D., L.D., C.S.C.S.
Diretor de Nutrição Esportiva
Associação Atlética Georgia Tech
Georgia Institute of Technology
Atlanta, Georgia


PONTOS PRINCIPAIS

· Os rótulos em suplementos nutricionais podem ser enganosos. Os frascos podem incluir quantias significativamente maiores dos ingredientes listados nos rótulos, apesar de o oposto ser mais freqüente. Outras substâncias também podem ser adicionadas - algumas podem causar problemas para os atletas no teste antidoping - e nem constarem no rótulo.
· Muitos dos estudos iniciais que proclamavam um efeito positivo do ginseng chinês no desempenho de exercícios eram deficientes. Estudos mais rigorosos não mostram nenhum benefício do ginseng chinês ou do siberiano no desempenho do atleta.
· Ervas popularmente consumidas para aumentar a massa muscular incluem a ioimbina, o Smilax, o Tribulus terrestris, o yam (uma espécie de cará) mexicano, e o gama-orizanol. Os esteróides vegetais encontrados em muitas dessas ervas não podem ser convertidos pelo corpo humano em testosterona ou em outros esteróides anabólicos. Afirmar que esses agentes podem aumentar a massa muscular tem pouca ou nenhuma base científica.
· A erva Ephedra Sinica contém a efedrina, um estimulante do sistema nervoso e do cardiovascular, é usada para acelerar a perda de gordura e intensificar a sensação de "energia". Não há nenhuma evidência sólida de que essa erva possa melhorar o desempenho atlético, mas o uso de produtos que contém efedrina pode resultar em efeitos colaterais graves, inclusive a morte.

INTRODUÇÃO

Os suplementos dietéticos à base de ervas são vendidos como produtos "naturais, seguros, e eficazes" que conseguem reduzir a gordura corporal, aumentar o nível de testosterona sangüínea, aumentar a massa muscular, intensificar a energia, aumentar a força e a resistência, e melhorar a saúde e o desempenho atlético de modo geral. Entretanto, esses suplementos e a propaganda que promovem seu uso não são, na maioria das vezes, regulamentados. Atletas e não atletas devem ser igualmente alertados quanto aos potenciais riscos do uso de suplementos à base de ervas e devem ser realistas quanto à possibilidade de elas aumentarem o desempenho no exercício.

Nesta mesa redonda, quatro especialistas em nutrição esportiva falam de algumas questões importantes relacionadas ao uso de suplementos à base de ervas. Ellen Coleman, Ron Maughan, Suzanne Nelson-Steen e Rob Skinner, todos já trabalharam com atletas de elite e não-elite, ajudando-os com inúmeros problemas nutricionais. Além disso, realizaram pesquisas abrangentes e publicaram muitos livros e artigos sobre nutrição esportiva.

Ao comprar um suplemento à base de ervas em uma loja de varejo ou mesmo na internet, um atleta pode confiar que o rótulo do produto descreve exatamente o conteúdo do frasco?

COLEMAN: Não necessariamente. Por exemplo, Gurley e col. (2000) analisaram a quantidade de ephedra em 20 suplementos dietéticos à base de ervas e encontraram muitas discrepâncias com relação ao conteúdo. A metade dos produtos apresentou variação maior que 20% na quantidade descrita no rótulo e um produto não continha nenhum ingrediente ativo. Cinco produtos apresentaram quantidades significativas de nor-pseudo-efedrina, substância controlada pela Drug Enforcement Agency - DEA (Órgão de Combate ao Narcotráfico) dos Estados Unidos. Os pesquisadores também encontraram uma variação significativa nos lotes dos mesmos fabricantes, indicando um controle de qualidade deficiente. Relataram também que as indicações do rótulo não eram explícitas quanto à quantidade de ephedra presente, que variou de 0 a 150 por cento da quantidade indicada na etiqueta.

A Consumer Lab é uma empresa independente que fornece resultados de testes e informações a consumidores e profissionais da área da saúde para que avaliem e selecionem suplementos dietéticos. Dos produtos avaliados, apenas 14 de 25 produtos de equinácea foram aprovados, 9 de 17 produtos de valeriana e 19 de 27 produtos do saw palmetto.

Um outro exemplo de como os atletas não podem confiar nos rótulos de suplementos dietéticos foi o que aconteceu em 2002, quando a Comissão Médica do Comitê Olímpico Internacional testou 634 suplementos nutricionais não-hormonais provenientes de 13 países diferentes e constatou que 94 (14,8%) continham substâncias que não haviam sido identificadas no rótulo e que poderiam resultar em teste antidoping positivo. Dessas 94 amostras, 23 continham substâncias que poderiam ser metabolizadas em nandrolona ou testosterona; 64 apresentavam substâncias que poderiam ser metabolizadas em testosterona e 7 continham precursores de nandrolona.

Em um outro trabalho, Green e col. (2001) compraram 12 marcas de esteróides pró-hormônios vendidos sem prescrição médica em lojas que fornecem para atletas. Onze das 12 marcas não atenderam às exigências mínimas quanto ao rótulo estabelecidas pela lei de Suplementação Dietética e Educação de Saúde [Dietary Supplement and Health Education Act (DSHEA)], de 1994. Uma marca continha 10 mg de testosterona (um esteróide controlado); outra continha 77% a mais de pró-hormônio que a quantidade indicada no rótulo e 11 de 12 continham menos que o anunciado também no rótulo.

MAUGHAN: A maioria das pessoas que compram os suplementos confia que a informação do rótulo está correta e não tem como verificar isso. Entretanto, como detalhadamente descrito por Ellen Coleman, diversos laboratórios observaram que alguns suplementos contêm pouco ou nenhum dos ingredientes caros listados no rótulo e/ou contêm substâncias que não são listadas. Em alguns casos, descobriu-se que os suplementos continham quantidades pequenas de substâncias que podem resultar em teste antidoping positivo (nandrolona, testosterona, cafeína, efedrina e outras). Mesmo que se encontre um laboratório para a realização das análises necessárias, não há nenhuma maneira fácil de se obter o dinheiro de volta.

NELSON-STEEN: Enquanto medicamentos vendidos com e sem prescrição médica e aditivos alimentares devem se enquadrar nas normas de segurança e eficácia do FDA - Food and Drug Administration, os suplementos dietéticos contornam esses regulamentos. Esses produtos podem ser introduzidos no mercado sem passar por nenhum teste para comprovar sua eficácia, segurança, ou potencialidade, e não há nenhuma garantia que o produto contido na embalagem seja aquele apresentado no rótulo, uma vez que não há nenhum padrão legal para sua colheita, processamento, ou empacotamento.

Alguns estudos com ginseng chinês (Panax ginseng) alegam que esse teria uma ampla gama de efeitos benéficos no desempenho de exercícios. Qual é sua opinião sobre a qualidade dos trabalhos publicados, e na sua opinião, qual seria a probabilidade de um atleta apresentar melhora no desempenho esportivo ao usar essa erva?

MAUGHAN: Há alguns estudos que mostram efeitos benéficos do ginseng chinês em diversos testes de desempenho, mas há um número maior de trabalhos que mostram que esse não afeta o desempenho. É importante reconhecer as diferenças na qualidade da evidência. Muitos dos estudos que mostram efeitos positivos não tinham um bom modelo experimental. Freqüentemente não havia nenhum grupo placebo e as pessoas estavam cientes de que estavam recebendo alguma coisa que poderia melhorar seu desempenho. O número de pessoas submetidas ao estudo era geralmente pequeno, por isso os resultados podem ter ocorrido apenas por acaso. No universo científico, é muito mais difícil que relatórios negativos sejam publicados, assim a maioria dos estudos nos quais não se observa nenhum benefício nunca se torna público. Um outro problema é que, geralmente, a pureza dos produtos usados não foi verificada e os supostos benefícios na concentração mental, no tempo de reação, na força, no poder, no endurance e nos outros testes podem ser decorrentes da presença de cafeína ou de outros estimulantes adicionados em preparações comerciais e não representar o efeito do ginseng em si.

COLEMAN: As plantas do ginseng contêm níveis variados de diversos produtos químicos diferentes que parecem exercer efeitos farmacológicos opostos. Essa variação natural poderia explicar a ampla gama dos supostos efeitos benéficos no desempenho de exercícios, mas é mais provável que uma falta da padronização dos compostos biologicamente ativos do ginseng, a variabilidade da dosagem e da forma de administração e as diferenças no tipo de ginseng usado influenciaram os resultados das pesquisas. Na minha opinião, é improvável que o ginseng melhorará o desempenho atlético em um estudo de pesquisa que controle o efeito placebo.

NELSON-STEEN: O uso amplamente divulgado do Panax ginseng para intensificar o desempenho físico em indivíduos saudáveis não foi provado em ensaios clínicos recentes. Duvido que o ginseng tenha algum efeito confiável no desempenho.

SKINNER: Estudos publicados anteriormente sobre o Panax ginseng não se sustentariam aos padrões científicos atuais. A probabilidade de um atleta melhorar seu desempenho ingerindo Panax ginseng é pequena, mas nunca se pode desconsiderar o efeito placebo.

Qual a diferença entre o ginseng chinês e o siberiano (Eleutherococcus senticosus ou Acanthopanax senticosus, também conhecido como Ciwujia)? O ginseng siberiano tem algum valor para atletas?

SKINNER: As principais diferenças entre essas ervas são as localizações geográficas de seu cultivo, os ingredientes ativos e as partes das plantas usadas nos suplementos. O ginseng chinês é nativo da Coréia e da China, enquanto que "o ginseng siberiano" inclui aproximadamente 20 espécies de arbustos similares encontrados na China, Rússia, Coréia e Japão. O extrato do ginseng siberiano foi desenvolvido na antiga União Soviética como um substituto para o ginseng chinês, alegando ainda mais benefícios para a saúde. Infelizmente, há pouca evidência concreta de que esses produtos ofereçam qualquer benefício real na saúde ou no desempenho.

COLEMAN: O ginseng siberiano não é um ginseng verdadeiro. Pertence à mesma família, mas não ao mesmo gênero do ginseng chinês. Embora ambas as ervas tenham algumas propriedades similares, como Rob Skinner mencionou, basicamente não há nenhuma sustentação científica sobre o efeito positivo do ginseng siberiano no desempenho de exercícios.

MAUGHAN: Para ampliar o que Rob e Ellen disseram, diz-se que o ginseng siberiano pode melhorar o desempenho no endurance aumentando o uso da gordura como combustível e assim poupar as reservas limitadas de carboidratos do corpo. Um trabalho recente testou essa hipótese em um estudo aleatório, duplo-cego e cruzado. Não se observou nenhum efeito na oxidação de gorduras e carboidratos durante 2 horas de exercício de ciclismo em ritmo moderado e nem no desempenho de uma corrida contra o relógio de 10 quilômetros que se seguiu. Evidências que mostram benefícios geralmente vêm de trabalhos mal controlados.

Quais são os suplementos de ervas "anabólicas" mais populares? Os esteróides encontrados nas plantas podem ser convertidos em testosterona nos seres humanos? Qual é a evidência de que algumas dessas ervas "construtoras de músculos" realmente propiciam a formação de músculo e aumentam a força? Há algum efeito colateral potencialmente prejudicial no uso desses suplementos?

COLEMAN: As supostas ervas anabólicas mais populares incluem a ioimbina, o Smilax, o tribulus, e gama-orizanol. A ioimbina (extraída da casca da ioimbe ou de uma erva da América do Sul, o "quebracho") supostamente aumenta os níveis séricos de testosterona (provavelmente por meio do aumento do fluxo sangüíneo nos testículos), aumentando assim, o tamanho e a força do músculo. Não há nenhuma base científica para essas afirmações. Como a ioimbina pode aumentar a pressão arterial, pessoas com diabetes ou com problemas cardiovasculares, doenças hepáticas ou renais não devem usá-la. Além disso, vinho tinto, fígado e queijo devem ser rigorosamente evitados quando a ioimbina é usada, para evitar um aumento repentino e perigoso na pressão arterial. (Esses alimentos contêm o aminoácido tiramina, que pode causar a constrição dos vasos sangüíneos e aumentar a pressão arterial. O fígado normalmente inativa a tiramina, mas a ioimbina interfere nesse processo.)

SKINNER: Também foi documentado que a ioimbina pode causar outras reações adversas, incluindo paralisia dos nervos, fadiga, distúrbios gástricos e renais, crises e morte.

COLEMAN: O Smilax (um gênero de plantas do deserto que inclui diversas espécies de salsaparrilha) supostamente aumenta os níveis séricos de testosterona e serve como uma alternativa legal aos esteróides anabólicos. O Smilax contém saponinas (sarsapogenina e esmilagenina) que atuam como blocos construtores para a produção de alguns esteróides em laboratório, mas essa conversão não ocorre no corpo humano. Não há nenhuma evidência de que o Smilax seja anabólico ou que atue como "substituto legal" para esteróides anabólicos. As saponinas do Smilax estimulam a diurese, a evacuação, o suor e a tosse, e qualquer um desses efeitos pode ser prejudicial ao desempenho esportivo.

O Tribulus terrestris (videira da punctura) teoricamente aumenta os níveis da testosterona indiretamente ao elevar a liberação do hormônio luteinizante pela hipófise, o que resulta na maior produção de testosterona pelos testículos. Entretanto, pesquisas sobre a suplementação com Tribulus para levantadores de peso não mostraram nenhum efeito no peso corporal, na porcentagem de gordura, na massa muscular total ou na força do músculo. Quando ingerido em doses recomendadas, não houve associação com efeitos colaterais adversos em seres humanos.

O gama-orizanol (um esterol vegetal derivado do óleo do farelo de arroz) supostamente aumenta os níveis séricos de testosterona e do hormônio do crescimento. Como acontece com outros esteróides vegetais, os melhores estudos não mostraram nenhum efeito anabólico após a suplementação com essa substância. Devido às características de absorção deficiente do orizanol (menos que 5% é geralmente absorvido pelo trato gastrintestinal), não há nenhum efeito adverso aparente.

NELSON-STEEN: Extratos de yams mexicanos selvagens da família Dioscorea são também suplementos "anabólicos" populares. Essas plantas contêm uma substância esteroidal chamada diosgenina, que pode ser convertida, por meio de uma série de reações químicas em um tubo de ensaio, em deidroepiandrosterona (DHEA), um hormônio anabólico que pode, por sua vez, ser convertido pelo corpo em outros esteróides, incluindo a testosterona e o estrogênio. Entretanto, essas reações que convertem a diosgenina em DHEA no laboratório não ocorrem no corpo humano! Os produtos que alegam que os yams selvagens podem resultar na formação de DHEA no corpo ou que podem aumentar os níveis de testosterona são um blefe total. Como os extratos de yam não são convertidos em DHEA pelo corpo, é improvável que haja efeitos colaterais adversos.

MAUGHAN: Temos que reconhecer que os esteróides anabólicos androgênicos são poderosos agentes farmacológicos. Estão sujeitos aos rígidos controles exercidos pelas agências que licenciam o uso de tais drogas. Todo produto à venda que teve um efeito anabólico significativo está sujeito a esses controles e o fato de que suplementos "anabólicos" à base de ervas não são controlados é uma indicação concreta de sua falta de efeito.

O mahuang ou ephedra chinesa (Ephedra sinica) contém a efedrina e compostos relacionados a ela que têm efeitos estimulantes semelhantes àqueles da adrenalina (epinefrina). A erva ephedra tem algum efeito no desempenho do exercício? É prejudicial?

MAUGHAN: A maioria das revisões das evidências disponíveis concluíram que nem a efedrina nem nenhum dos compostos relacionados a ela melhorarão o desempenho nas doses normalmente usadas. Há pouca informação sobre os efeitos de doses muito mais elevadas, mas os riscos adversos à saúde causados por doses maiores superam, com ampla margem, a possibilidade limitada de melhora do desempenho. A evidência de que a pseudoefedrina - encontrada em muitos suplementos, descongestionantes e remédios para resfriados - não ter nenhum efeito benéfico é tão forte que se propôs que seja removida da lista de substâncias proibidas para atletas.

NELSON-STEEN: O Comitê Olimpico Internacional e a Associação Atlética Universitária Nacional (National Collegiate Athletic Association) proíbem a efedrina, portanto os atletas não deveriam nem considerar o uso de ephedra ou de outros produtos contendo a efedrina. Por estimular o sistema nervoso, a efedrina é encontrada em alguns produtos populares para perda de peso e para "aumentar a energia". É combinado com freqüência com a cafeína ou com outros ingredientes tais como a noz coala e o guaraná que contêm cafeína. Por serem estimulantes, a ephedra e a cafeína podem fazer com que os atletas tenham "a sensação" de estarem energizados, mas elas não fornecem energia aos atletas. Os efeitos colaterais adversos decorrentes do uso da efedrina incluem o aumento da pressão arterial, disritmias cardíacas, insônia, nervosismo, tremores, cefaléias, psicoses, crises, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral e morte. Atletas descreveram muitos efeitos negativos ao fazerem uso da cafeína ou da ephedra, incluindo vertigens, falta de concentração, irritabilidade e palpitações cardíacas. Todos esses efeitos poderiam comprometer o desempenho.

COLEMAN: Não se provou que ervas contendo efedrina (ephedra) e cafeína (guaraná) melhoraram o desempenho de exercícios, mas pesquisas militares sugerem que uma combinação de efedrina e cafeína sintéticas - 0,8 a 1,0 mg de efedrina por quilograma de peso corporal e 4 a 5 mg de cafeína por quilograma (consumidas 1h30 antes do exercício) pode melhorar tanto o desempenho anaeróbico como o aeróbico de alta intensidade. Além dos efeitos adversos citados pelo dra. Nelson-Steen, a efedrina também eleva a temperatura corporal e aumenta o risco de se desenvolver uma doença provocada pelo calor durante o exercício executado em clima quente.

SKINNER: A maioria dos defensores da ephedra é firme e alega que as reações adversas ocorrem apenas nas pessoas que têm doenças preexistentes ou que fazem uso de doses acima das recomendadas. Para mim, a informação mais interessante vem de casos de autópsias conduzidas em indivíduos que morreram, tendo o uso de ephedra como causa suspeita da morte. Por exemplo, em um caso de morte repentina de uma mulher de 32 anos sem problemas cardiovasculares ou de pulmão, a ephedra foi a única droga detectada em seu corpo.

Há outras ervas usadas pelos atletas que apresentam propriedades ou problemas que lhes são particularmente intrigantes?

COLEMAN: É comum muitos atletas pressuporem, de maneira incorreta, que os produtos à base de ervas são seguros e que não apresentam os efeitos colaterais dos medicamentos porque são comercializados como "naturais" e podem ser comprados sem prescrição. Essa idéia errônea é potencialmente perigosa porque as ervas, assim como medicamentos, podem ter efeitos adversos. O risco de efeitos colaterais aumenta ainda mais quando determinadas ervas são combinadas com drogas vendidas com ou sem prescrição médica.

Os profissionais da saúde devem incentivar os indivíduos a relatarem os nomes das ervas que usam. Até sete de dez usuários de ervas medicinais nunca dizem a seus médicos que produtos à base de ervas estão tomando. Limita-se a capacidade dos médicos em diagnosticar e tratar corretamente uma doença ou problema quando esses desconhecem que o paciente faz uso de produtos desse tipo. Além disso, as pessoas devem ser orientadas sobre o uso adequado de ervas e sobre quando relatar um problema a seus médicos.

NELSON-STEEN: Estou preocupado com o número de produtos que estão sendo comercializados como bebidas energéticas e que contêm várias ervas, cafeína e ephedra. O consumo dessas bebidas pode, não apenas resultar em teste antidoping positivo em um atleta que participa de competições universitárias ou internacionais, mas também existe o risco de efeitos colaterais adversos e de interações negativas entre os compostos.

MAUGHAN: Acredito firmemente que, provavelmente, muitos dos remédios tradicionais à base de ervas oferecem alguns benefícios leves para a saúde e o desempenho, mas esses efeitos são mínimos em comparação com aqueles obtidos com drogas modernas. Embora permaneça cético, parece haver alguma evidência de que a equinácea consegue estimular o sistema imunológico e ajudar no tratamento - mas não na prevenção - de resfriados, gripe e infecções do aparelho respiratório superior.


LITERATURA ADICIONAL SUGERIDA:

Antonio, J., J. Uelmen, R. Rodriguez, and C. Earnest (2000). The effects of Tribulus terrestris on body composition and exercise performance in resistance-trained males. Int. J. Sport Nutr. Exerc. Metab. 10:208-215.

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Engels, H.J., and J.C. Wirth (1997). No ergogenic effects of ginseng (Panax ginseng C.A. Meyer) during graded maximal aerobic exercise. J. Am. Diet. Assoc. 97:1110-1115.

Eschbach, L.C., M.J. Webster, J.C. Boyd, P.D. McArthur, and T.K. Evetovich (2000). The effect of Siberian ginseng (Eleutherococcus Senticosus) on substrate utilization and performance during prolonged cycling. Int. J. Sports Nutr. Exerc. Metab. 10:444-451.

Green, G.A., D.H. Catlin, and B. Starcevic (2001). Analysis of over-the-counter dietary supplements. Clin. J. Sport Med.11:254- 259.

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Mahady, G., C. Gyllenhaal, H. Fong, and N.R. Farnswoth (2000). Ginsengs: a review of safety and efficacy. Nutr. Clin. Care. 3:90-101.

Sarubin, A. (1999). The health professional's guide to popular dietary supplements. Chicago, IL: American Dietetic Association.

Steen, SN, and Coleman E. (1999). Selected ergogenic aids used by athletes. Nutr. Clin. Prac. 14:287-295.

Wheeler, K.B., and K.A. Garleb (1991). Gamma oryzanol-plant sterol supplementation: metabolic, endocrine, and physiologic effects. Int. J. Sports Nutr. 1:178-191.

VOLUME 13 (2002) NÚMERO 4 - SUPLEMENTO
Sports Science Exchange Roundtable 50

SUPLEMENTOS À BASE DE ERVAS:
FUNCIONAM? SÃO SEGURAS?

Está usando ou pensando em usar um suplemento à base de ervas para ajudar a melhorar seu desempenho nos esportes? Se sim, aqui vão algumas dicas.
· Não presuma que os ingredientes listados no rótulo, e que apenas aqueles, estejam presentes nas quantidades mencionadas. Basicamente não há nenhuma regulamentação da indústria de suplementos.
· Tenha consciência de que, algumas vezes, os suplementos à base de ervas incluem esteróides anabólicos, efedrina, cafeína e outras substâncias que podem não estar listadas no rótulo, mas que podem causar um teste antidoping positivo. Ainda mais importante é o fato de que esses produtos podem prejudicar a saúde.
· Uma pesquisa anterior alegava que os suplementos de ginseng conseguiam melhorar o desempenho nos exercícios, mas aquela pesquisa apresentava muitas deficiências. Mais recentemente, trabalhos melhor controlados não provaram nenhum efeito positivo do ginseng chinês ou do siberiano no desempenho.
· É improvável que as chamadas ervas anabólicas "formadoras de músculo", incluindo a ioimbina, ervas do gênero Smilax, yams selvagens e o gama-orizanol tenham qualquer efeito nos músculos. Os esteróides vegetais encontrados em muitas dessas ervas não podem ser convertidos pelo corpo humano em testosterona ou em outros esteróides anabólicos. Alegações de que esses agentes conseguem aumentar a massa muscular têm pouca ou nenhuma base científica.
· A ioimbina pode aumentar a pressão arterial e causar paralisia de nervos, distúrbios gástricos e renais, crises e até mesmo a morte. As ervas do gênero Smilax estimulam a diurese, a evacuação, a sudorese e a tosse. Qualquer uma dessas condições pode ser prejudicial ao desempenho esportivo. O tribulus e o orizanol são provavelmente seguros quando usados nas doses recomendadas.
· O ingrediente ativo na ephedra é a efedrina, substância proibida pelos órgãos dirigentes nos esportes, e que pode ser muito perigosa, causando acidente vascular cerebral e morte. Apesar de a combinação de efedrina sintética e cafeína poder melhorar o desempenho no exercício de alguma forma, o produto à base de ervas, ou seja, a ephedra, parece ser ineficaz, talvez por causa da variação na potência da efedrina contida nos extratos de ervas.
· A ephedra estimula o sistema nervoso da mesma maneira que a cafeína, portanto pode fazer com que um atleta se sinta energizado, mas ela não oferece energia.
· As ervas podem ser particularmente perigosas quando ingeridas com algumas medicações vendidas com ou sem prescrição médica. Deve-se contar ao médico sobre qualquer suplemento à base de ervas que esteja sendo ingerido.
· Não espere que suplementos à base de ervas substituam treinos árduos como uma maneira de melhorar o desempenho.


LITERATURA ADICIONAL SUGERIDA:

Antonio, J., J. Uelmen, R. Rodriguez, and C. Earnest (2000). The effects of Tribulus terrestris on body composition and exercise performance in resistance-trained males. Int. J. Sport Nutr. Exerc. Metab. 10:208-215.

Bell, D.G., T.M. McLellan, and C.M. Sabiston (2002). Effect of ingesting caffeine and ephedrine on 10-km run performance. Med. Sci. Sports Exerc. 34:344-349.

Dowling, E.A., D.R. Redondo, J.D. Branch, S. Jones, G. McNabb, and M.H. Williams (1996). Effect of Eleutherococcus senticosus on submaximal and maximal exercise performance. Med. Sci. Sports Exerc. 28:482-489.

Engels, H.J., and J.C. Wirth (1997). No ergogenic effects of ginseng (Panax ginseng C.A. Meyer) during graded maximal aerobic exercise. J. Am. Diet. Assoc. 97:1110-1115.

Eschbach, L.C., M.J. Webster, J.C. Boyd, P.D. McArthur, and T.K. Evetovich (2000). The effect of Siberian ginseng (Eleutherococcus Senticosus) on substrate utilization and performance during prolonged cycling. Int. J. Sports Nutr. Exerc. Metab. 10:444-451.

Green, G.A., D.H. Catlin, and B. Starcevic (2001). Analysis of over-the-counter dietary supplements. Clin. J. Sport Med.11:254-259.

Gurley, B.J., S.F. Gardner, and M.A. Hubbard (2000). Content versus label claims in ephedra-containing dietary supplements. Am. J. Health Syst. Pharm. 57:963-969.

Mahady, G., C. Gyllenhaal, H. Fong, and N.R. Farnswoth (2000). Ginsengs: a review of safety and efficacy. Nutr. Clin. Care. 3:90-101.

Wheeler, K.B., and K.A. Garleb (1991). Gamma oryzanol-plant sterol supplementation: metabolic, endocrine, and physiologic effects. Int. J. Sports Nutr. 1:178-191.

A informação aqui contida destina-se ao público profissional, incluindo cientistas, técnicos, médicos, treinadores de atletas, nutricionistas e outros profissionais da saúde esportiva com conhecimentos básicos de fisiologia humana.




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· Edição 2 :: SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS MELHORAM A PERFORMANCE ESPORTIVA?

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· Edição 5 :: FORÇA E CONDICIONAMENTO EM ESPORTES ESPECÍFICOS



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