Edição
6 :: SUPLEMENTOS À BASE DE ERVAS E DESEMPENHO NOS ESPORTES
Sport Science Exchange Roundtable 50
VOLUME 13 (2002) NÚMERO 4
SUPLEMENTOS À BASE DE ERVAS E DESEMPENHO NOS ESPORTES
Ellen Coleman, M.P.H., M.A., R.D.
Nutricionista do Esporte
The Sports Clinic
Riverside, Califórnia
Suzanne
Nelson-Steen, D.Sc., R.D.
Diretora dos Serviços de Nutrição Esportiva
Departamento de Esporte Universitário
University of Washington
Seattle, Washington
Ron Maughan,
Ph.D.
Professor de Fisiologia
University Medical School
Foresterhill
Aberdeen
Scotland
Rob Skinner, M.S., R.D., L.D., C.S.C.S.
Diretor de Nutrição Esportiva
Associação Atlética Georgia Tech
Georgia Institute of Technology
Atlanta, Georgia
PONTOS PRINCIPAIS
· Os rótulos em suplementos nutricionais podem ser enganosos.
Os frascos podem incluir quantias significativamente maiores dos ingredientes
listados nos rótulos, apesar de o oposto ser mais freqüente.
Outras substâncias também podem ser adicionadas - algumas
podem causar problemas para os atletas no teste antidoping - e nem constarem
no rótulo.
· Muitos dos estudos iniciais que proclamavam um efeito positivo
do ginseng chinês no desempenho de exercícios eram deficientes.
Estudos mais rigorosos não mostram nenhum benefício do ginseng
chinês ou do siberiano no desempenho do atleta.
· Ervas popularmente consumidas para aumentar a massa muscular
incluem a ioimbina, o Smilax, o Tribulus terrestris, o yam (uma espécie
de cará) mexicano, e o gama-orizanol. Os esteróides vegetais
encontrados em muitas dessas ervas não podem ser convertidos pelo
corpo humano em testosterona ou em outros esteróides anabólicos.
Afirmar que esses agentes podem aumentar a massa muscular tem pouca ou
nenhuma base científica.
· A erva Ephedra Sinica contém a efedrina, um estimulante
do sistema nervoso e do cardiovascular, é usada para acelerar a
perda de gordura e intensificar a sensação de "energia".
Não há nenhuma evidência sólida de que essa
erva possa melhorar o desempenho atlético, mas o uso de produtos
que contém efedrina pode resultar em efeitos colaterais graves,
inclusive a morte.
INTRODUÇÃO
Os suplementos
dietéticos à base de ervas são vendidos como produtos
"naturais, seguros, e eficazes" que conseguem reduzir a gordura
corporal, aumentar o nível de testosterona sangüínea,
aumentar a massa muscular, intensificar a energia, aumentar a força
e a resistência, e melhorar a saúde e o desempenho atlético
de modo geral. Entretanto, esses suplementos e a propaganda que promovem
seu uso não são, na maioria das vezes, regulamentados. Atletas
e não atletas devem ser igualmente alertados quanto aos potenciais
riscos do uso de suplementos à base de ervas e devem ser realistas
quanto à possibilidade de elas aumentarem o desempenho no exercício.
Nesta mesa
redonda, quatro especialistas em nutrição esportiva falam
de algumas questões importantes relacionadas ao uso de suplementos
à base de ervas. Ellen Coleman, Ron Maughan, Suzanne Nelson-Steen
e Rob Skinner, todos já trabalharam com atletas de elite e não-elite,
ajudando-os com inúmeros problemas nutricionais. Além disso,
realizaram pesquisas abrangentes e publicaram muitos livros e artigos
sobre nutrição esportiva.
Ao
comprar um suplemento à base de ervas em uma loja de varejo ou
mesmo na internet, um atleta pode confiar que o rótulo do produto
descreve exatamente o conteúdo do frasco?
COLEMAN:
Não necessariamente. Por exemplo, Gurley e col. (2000) analisaram
a quantidade de ephedra em 20 suplementos dietéticos à base
de ervas e encontraram muitas discrepâncias com relação
ao conteúdo. A metade dos produtos apresentou variação
maior que 20% na quantidade descrita no rótulo e um produto não
continha nenhum ingrediente ativo. Cinco produtos apresentaram quantidades
significativas de nor-pseudo-efedrina, substância controlada pela
Drug Enforcement Agency - DEA (Órgão de Combate ao Narcotráfico)
dos Estados Unidos. Os pesquisadores também encontraram uma variação
significativa nos lotes dos mesmos fabricantes, indicando um controle
de qualidade deficiente. Relataram também que as indicações
do rótulo não eram explícitas quanto à quantidade
de ephedra presente, que variou de 0 a 150 por cento da quantidade indicada
na etiqueta.
A Consumer
Lab é uma empresa independente que fornece resultados de testes
e informações a consumidores e profissionais da área
da saúde para que avaliem e selecionem suplementos dietéticos.
Dos produtos avaliados, apenas 14 de 25 produtos de equinácea foram
aprovados, 9 de 17 produtos de valeriana e 19 de 27 produtos do saw palmetto.
Um outro
exemplo de como os atletas não podem confiar nos rótulos
de suplementos dietéticos foi o que aconteceu em 2002, quando a
Comissão Médica do Comitê Olímpico Internacional
testou 634 suplementos nutricionais não-hormonais provenientes
de 13 países diferentes e constatou que 94 (14,8%) continham substâncias
que não haviam sido identificadas no rótulo e que poderiam
resultar em teste antidoping positivo. Dessas 94 amostras, 23 continham
substâncias que poderiam ser metabolizadas em nandrolona ou testosterona;
64 apresentavam substâncias que poderiam ser metabolizadas em testosterona
e 7 continham precursores de nandrolona.
Em um outro
trabalho, Green e col. (2001) compraram 12 marcas de esteróides
pró-hormônios vendidos sem prescrição médica
em lojas que fornecem para atletas. Onze das 12 marcas não atenderam
às exigências mínimas quanto ao rótulo estabelecidas
pela lei de Suplementação Dietética e Educação
de Saúde [Dietary Supplement and Health Education Act (DSHEA)],
de 1994. Uma marca continha 10 mg de testosterona (um esteróide
controlado); outra continha 77% a mais de pró-hormônio que
a quantidade indicada no rótulo e 11 de 12 continham menos que
o anunciado também no rótulo.
MAUGHAN:
A maioria das pessoas que compram os suplementos confia que a informação
do rótulo está correta e não tem como verificar isso.
Entretanto, como detalhadamente descrito por Ellen Coleman, diversos laboratórios
observaram que alguns suplementos contêm pouco ou nenhum dos ingredientes
caros listados no rótulo e/ou contêm substâncias que
não são listadas. Em alguns casos, descobriu-se que os suplementos
continham quantidades pequenas de substâncias que podem resultar
em teste antidoping positivo (nandrolona, testosterona, cafeína,
efedrina e outras). Mesmo que se encontre um laboratório para a
realização das análises necessárias, não
há nenhuma maneira fácil de se obter o dinheiro de volta.
NELSON-STEEN:
Enquanto medicamentos vendidos com e sem prescrição médica
e aditivos alimentares devem se enquadrar nas normas de segurança
e eficácia do FDA - Food and Drug Administration, os suplementos
dietéticos contornam esses regulamentos. Esses produtos podem ser
introduzidos no mercado sem passar por nenhum teste para comprovar sua
eficácia, segurança, ou potencialidade, e não há
nenhuma garantia que o produto contido na embalagem seja aquele apresentado
no rótulo, uma vez que não há nenhum padrão
legal para sua colheita, processamento, ou empacotamento.
Alguns
estudos com ginseng chinês (Panax ginseng) alegam que esse teria
uma ampla gama de efeitos benéficos no desempenho de exercícios.
Qual é sua opinião sobre a qualidade dos trabalhos publicados,
e na sua opinião, qual seria a probabilidade de um atleta apresentar
melhora no desempenho esportivo ao usar essa erva?
MAUGHAN:
Há alguns estudos que mostram efeitos benéficos do ginseng
chinês em diversos testes de desempenho, mas há um número
maior de trabalhos que mostram que esse não afeta o desempenho.
É importante reconhecer as diferenças na qualidade da evidência.
Muitos dos estudos que mostram efeitos positivos não tinham um
bom modelo experimental. Freqüentemente não havia nenhum grupo
placebo e as pessoas estavam cientes de que estavam recebendo alguma coisa
que poderia melhorar seu desempenho. O número de pessoas submetidas
ao estudo era geralmente pequeno, por isso os resultados podem ter ocorrido
apenas por acaso. No universo científico, é muito mais difícil
que relatórios negativos sejam publicados, assim a maioria dos
estudos nos quais não se observa nenhum benefício nunca
se torna público. Um outro problema é que, geralmente, a
pureza dos produtos usados não foi verificada e os supostos benefícios
na concentração mental, no tempo de reação,
na força, no poder, no endurance e nos outros testes podem ser
decorrentes da presença de cafeína ou de outros estimulantes
adicionados em preparações comerciais e não representar
o efeito do ginseng em si.
COLEMAN:
As plantas do ginseng contêm níveis variados de diversos
produtos químicos diferentes que parecem exercer efeitos farmacológicos
opostos. Essa variação natural poderia explicar a ampla
gama dos supostos efeitos benéficos no desempenho de exercícios,
mas é mais provável que uma falta da padronização
dos compostos biologicamente ativos do ginseng, a variabilidade da dosagem
e da forma de administração e as diferenças no tipo
de ginseng usado influenciaram os resultados das pesquisas. Na minha opinião,
é improvável que o ginseng melhorará o desempenho
atlético em um estudo de pesquisa que controle o efeito placebo.
NELSON-STEEN:
O uso amplamente divulgado do Panax ginseng para intensificar o desempenho
físico em indivíduos saudáveis não foi provado
em ensaios clínicos recentes. Duvido que o ginseng tenha algum
efeito confiável no desempenho.
SKINNER:
Estudos publicados anteriormente sobre o Panax ginseng não se sustentariam
aos padrões científicos atuais. A probabilidade de um atleta
melhorar seu desempenho ingerindo Panax ginseng é pequena, mas
nunca se pode desconsiderar o efeito placebo.
Qual
a diferença entre o ginseng chinês e o siberiano (Eleutherococcus
senticosus ou Acanthopanax senticosus, também conhecido como Ciwujia)?
O ginseng siberiano tem algum valor para atletas?
SKINNER:
As principais diferenças entre essas ervas são as localizações
geográficas de seu cultivo, os ingredientes ativos e as partes
das plantas usadas nos suplementos. O ginseng chinês é nativo
da Coréia e da China, enquanto que "o ginseng siberiano"
inclui aproximadamente 20 espécies de arbustos similares encontrados
na China, Rússia, Coréia e Japão. O extrato do ginseng
siberiano foi desenvolvido na antiga União Soviética como
um substituto para o ginseng chinês, alegando ainda mais benefícios
para a saúde. Infelizmente, há pouca evidência concreta
de que esses produtos ofereçam qualquer benefício real na
saúde ou no desempenho.
COLEMAN:
O ginseng siberiano não é um ginseng verdadeiro. Pertence
à mesma família, mas não ao mesmo gênero do
ginseng chinês. Embora ambas as ervas tenham algumas propriedades
similares, como Rob Skinner mencionou, basicamente não há
nenhuma sustentação científica sobre o efeito positivo
do ginseng siberiano no desempenho de exercícios.
MAUGHAN:
Para ampliar o que Rob e Ellen disseram, diz-se que o ginseng siberiano
pode melhorar o desempenho no endurance aumentando o uso da gordura como
combustível e assim poupar as reservas limitadas de carboidratos
do corpo. Um trabalho recente testou essa hipótese em um estudo
aleatório, duplo-cego e cruzado. Não se observou nenhum
efeito na oxidação de gorduras e carboidratos durante 2
horas de exercício de ciclismo em ritmo moderado e nem no desempenho
de uma corrida contra o relógio de 10 quilômetros que se
seguiu. Evidências que mostram benefícios geralmente vêm
de trabalhos mal controlados.
Quais
são os suplementos de ervas "anabólicas" mais
populares? Os esteróides encontrados nas plantas podem ser convertidos
em testosterona nos seres humanos? Qual é a evidência de
que algumas dessas ervas "construtoras de músculos" realmente
propiciam a formação de músculo e aumentam a força?
Há algum efeito colateral potencialmente prejudicial no uso desses
suplementos?
COLEMAN:
As supostas ervas anabólicas mais populares incluem a ioimbina,
o Smilax, o tribulus, e gama-orizanol. A ioimbina (extraída da
casca da ioimbe ou de uma erva da América do Sul, o "quebracho")
supostamente aumenta os níveis séricos de testosterona (provavelmente
por meio do aumento do fluxo sangüíneo nos testículos),
aumentando assim, o tamanho e a força do músculo. Não
há nenhuma base científica para essas afirmações.
Como a ioimbina pode aumentar a pressão arterial, pessoas com diabetes
ou com problemas cardiovasculares, doenças hepáticas ou
renais não devem usá-la. Além disso, vinho tinto,
fígado e queijo devem ser rigorosamente evitados quando a ioimbina
é usada, para evitar um aumento repentino e perigoso na pressão
arterial. (Esses alimentos contêm o aminoácido tiramina,
que pode causar a constrição dos vasos sangüíneos
e aumentar a pressão arterial. O fígado normalmente inativa
a tiramina, mas a ioimbina interfere nesse processo.)
SKINNER:
Também foi documentado que a ioimbina pode causar outras reações
adversas, incluindo paralisia dos nervos, fadiga, distúrbios gástricos
e renais, crises e morte.
COLEMAN:
O Smilax (um gênero de plantas do deserto que inclui diversas espécies
de salsaparrilha) supostamente aumenta os níveis séricos
de testosterona e serve como uma alternativa legal aos esteróides
anabólicos. O Smilax contém saponinas (sarsapogenina e esmilagenina)
que atuam como blocos construtores para a produção de alguns
esteróides em laboratório, mas essa conversão não
ocorre no corpo humano. Não há nenhuma evidência de
que o Smilax seja anabólico ou que atue como "substituto legal"
para esteróides anabólicos. As saponinas do Smilax estimulam
a diurese, a evacuação, o suor e a tosse, e qualquer um
desses efeitos pode ser prejudicial ao desempenho esportivo.
O Tribulus
terrestris (videira da punctura) teoricamente aumenta os níveis
da testosterona indiretamente ao elevar a liberação do hormônio
luteinizante pela hipófise, o que resulta na maior produção
de testosterona pelos testículos. Entretanto, pesquisas sobre a
suplementação com Tribulus para levantadores de peso não
mostraram nenhum efeito no peso corporal, na porcentagem de gordura, na
massa muscular total ou na força do músculo. Quando ingerido
em doses recomendadas, não houve associação com efeitos
colaterais adversos em seres humanos.
O gama-orizanol
(um esterol vegetal derivado do óleo do farelo de arroz) supostamente
aumenta os níveis séricos de testosterona e do hormônio
do crescimento. Como acontece com outros esteróides vegetais, os
melhores estudos não mostraram nenhum efeito anabólico após
a suplementação com essa substância. Devido às
características de absorção deficiente do orizanol
(menos que 5% é geralmente absorvido pelo trato gastrintestinal),
não há nenhum efeito adverso aparente.
NELSON-STEEN:
Extratos de yams mexicanos selvagens da família Dioscorea são
também suplementos "anabólicos" populares. Essas
plantas contêm uma substância esteroidal chamada diosgenina,
que pode ser convertida, por meio de uma série de reações
químicas em um tubo de ensaio, em deidroepiandrosterona (DHEA),
um hormônio anabólico que pode, por sua vez, ser convertido
pelo corpo em outros esteróides, incluindo a testosterona e o estrogênio.
Entretanto, essas reações que convertem a diosgenina em
DHEA no laboratório não ocorrem no corpo humano! Os produtos
que alegam que os yams selvagens podem resultar na formação
de DHEA no corpo ou que podem aumentar os níveis de testosterona
são um blefe total. Como os extratos de yam não são
convertidos em DHEA pelo corpo, é improvável que haja efeitos
colaterais adversos.
MAUGHAN:
Temos que reconhecer que os esteróides anabólicos androgênicos
são poderosos agentes farmacológicos. Estão sujeitos
aos rígidos controles exercidos pelas agências que licenciam
o uso de tais drogas. Todo produto à venda que teve um efeito anabólico
significativo está sujeito a esses controles e o fato de que suplementos
"anabólicos" à base de ervas não são
controlados é uma indicação concreta de sua falta
de efeito.
O
mahuang ou ephedra chinesa (Ephedra sinica) contém a efedrina e
compostos relacionados a ela que têm efeitos estimulantes semelhantes
àqueles da adrenalina (epinefrina). A erva ephedra tem algum efeito
no desempenho do exercício? É prejudicial?
MAUGHAN:
A maioria das revisões das evidências disponíveis
concluíram que nem a efedrina nem nenhum dos compostos relacionados
a ela melhorarão o desempenho nas doses normalmente usadas. Há
pouca informação sobre os efeitos de doses muito mais elevadas,
mas os riscos adversos à saúde causados por doses maiores
superam, com ampla margem, a possibilidade limitada de melhora do desempenho.
A evidência de que a pseudoefedrina - encontrada em muitos suplementos,
descongestionantes e remédios para resfriados - não ter
nenhum efeito benéfico é tão forte que se propôs
que seja removida da lista de substâncias proibidas para atletas.
NELSON-STEEN:
O Comitê Olimpico Internacional e a Associação Atlética
Universitária Nacional (National Collegiate Athletic Association)
proíbem a efedrina, portanto os atletas não deveriam nem
considerar o uso de ephedra ou de outros produtos contendo a efedrina.
Por estimular o sistema nervoso, a efedrina é encontrada em alguns
produtos populares para perda de peso e para "aumentar a energia".
É combinado com freqüência com a cafeína ou com
outros ingredientes tais como a noz coala e o guaraná que contêm
cafeína. Por serem estimulantes, a ephedra e a cafeína podem
fazer com que os atletas tenham "a sensação" de
estarem energizados, mas elas não fornecem energia aos atletas.
Os efeitos colaterais adversos decorrentes do uso da efedrina incluem
o aumento da pressão arterial, disritmias cardíacas, insônia,
nervosismo, tremores, cefaléias, psicoses, crises, ataques cardíacos,
acidente vascular cerebral e morte. Atletas descreveram muitos efeitos
negativos ao fazerem uso da cafeína ou da ephedra, incluindo vertigens,
falta de concentração, irritabilidade e palpitações
cardíacas. Todos esses efeitos poderiam comprometer o desempenho.
COLEMAN:
Não se provou que ervas contendo efedrina (ephedra) e cafeína
(guaraná) melhoraram o desempenho de exercícios, mas pesquisas
militares sugerem que uma combinação de efedrina e cafeína
sintéticas - 0,8 a 1,0 mg de efedrina por quilograma de peso corporal
e 4 a 5 mg de cafeína por quilograma (consumidas 1h30 antes do
exercício) pode melhorar tanto o desempenho anaeróbico como
o aeróbico de alta intensidade. Além dos efeitos adversos
citados pelo dra. Nelson-Steen, a efedrina também eleva a temperatura
corporal e aumenta o risco de se desenvolver uma doença provocada
pelo calor durante o exercício executado em clima quente.
SKINNER:
A maioria dos defensores da ephedra é firme e alega que as reações
adversas ocorrem apenas nas pessoas que têm doenças preexistentes
ou que fazem uso de doses acima das recomendadas. Para mim, a informação
mais interessante vem de casos de autópsias conduzidas em indivíduos
que morreram, tendo o uso de ephedra como causa suspeita da morte. Por
exemplo, em um caso de morte repentina de uma mulher de 32 anos sem problemas
cardiovasculares ou de pulmão, a ephedra foi a única droga
detectada em seu corpo.
Há
outras ervas usadas pelos atletas que apresentam propriedades ou problemas
que lhes são particularmente intrigantes?
COLEMAN:
É comum muitos atletas pressuporem, de maneira incorreta, que os
produtos à base de ervas são seguros e que não apresentam
os efeitos colaterais dos medicamentos porque são comercializados
como "naturais" e podem ser comprados sem prescrição.
Essa idéia errônea é potencialmente perigosa porque
as ervas, assim como medicamentos, podem ter efeitos adversos. O risco
de efeitos colaterais aumenta ainda mais quando determinadas ervas são
combinadas com drogas vendidas com ou sem prescrição médica.
Os profissionais
da saúde devem incentivar os indivíduos a relatarem os nomes
das ervas que usam. Até sete de dez usuários de ervas medicinais
nunca dizem a seus médicos que produtos à base de ervas
estão tomando. Limita-se a capacidade dos médicos em diagnosticar
e tratar corretamente uma doença ou problema quando esses desconhecem
que o paciente faz uso de produtos desse tipo. Além disso, as pessoas
devem ser orientadas sobre o uso adequado de ervas e sobre quando relatar
um problema a seus médicos.
NELSON-STEEN:
Estou preocupado com o número de produtos que estão sendo
comercializados como bebidas energéticas e que contêm várias
ervas, cafeína e ephedra. O consumo dessas bebidas pode, não
apenas resultar em teste antidoping positivo em um atleta que participa
de competições universitárias ou internacionais,
mas também existe o risco de efeitos colaterais adversos e de interações
negativas entre os compostos.
MAUGHAN:
Acredito firmemente que, provavelmente, muitos dos remédios tradicionais
à base de ervas oferecem alguns benefícios leves para a
saúde e o desempenho, mas esses efeitos são mínimos
em comparação com aqueles obtidos com drogas modernas. Embora
permaneça cético, parece haver alguma evidência de
que a equinácea consegue estimular o sistema imunológico
e ajudar no tratamento - mas não na prevenção - de
resfriados, gripe e infecções do aparelho respiratório
superior.
LITERATURA ADICIONAL SUGERIDA:
Antonio,
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VOLUME
13 (2002) NÚMERO 4 - SUPLEMENTO
Sports Science Exchange Roundtable 50
SUPLEMENTOS À BASE DE ERVAS:
FUNCIONAM? SÃO SEGURAS?
Está
usando ou pensando em usar um suplemento à base de ervas para ajudar
a melhorar seu desempenho nos esportes? Se sim, aqui vão algumas
dicas.
· Não presuma que os ingredientes listados no rótulo,
e que apenas aqueles, estejam presentes nas quantidades mencionadas. Basicamente
não há nenhuma regulamentação da indústria
de suplementos.
· Tenha consciência de que, algumas vezes, os suplementos
à base de ervas incluem esteróides anabólicos, efedrina,
cafeína e outras substâncias que podem não estar listadas
no rótulo, mas que podem causar um teste antidoping positivo. Ainda
mais importante é o fato de que esses produtos podem prejudicar
a saúde.
· Uma pesquisa anterior alegava que os suplementos de ginseng conseguiam
melhorar o desempenho nos exercícios, mas aquela pesquisa apresentava
muitas deficiências. Mais recentemente, trabalhos melhor controlados
não provaram nenhum efeito positivo do ginseng chinês ou
do siberiano no desempenho.
· É improvável que as chamadas ervas anabólicas
"formadoras de músculo", incluindo a ioimbina, ervas
do gênero Smilax, yams selvagens e o gama-orizanol tenham qualquer
efeito nos músculos. Os esteróides vegetais encontrados
em muitas dessas ervas não podem ser convertidos pelo corpo humano
em testosterona ou em outros esteróides anabólicos. Alegações
de que esses agentes conseguem aumentar a massa muscular têm pouca
ou nenhuma base científica.
· A ioimbina pode aumentar a pressão arterial e causar paralisia
de nervos, distúrbios gástricos e renais, crises e até
mesmo a morte. As ervas do gênero Smilax estimulam a diurese, a
evacuação, a sudorese e a tosse. Qualquer uma dessas condições
pode ser prejudicial ao desempenho esportivo. O tribulus e o orizanol
são provavelmente seguros quando usados nas doses recomendadas.
· O ingrediente ativo na ephedra é a efedrina, substância
proibida pelos órgãos dirigentes nos esportes, e que pode
ser muito perigosa, causando acidente vascular cerebral e morte. Apesar
de a combinação de efedrina sintética e cafeína
poder melhorar o desempenho no exercício de alguma forma, o produto
à base de ervas, ou seja, a ephedra, parece ser ineficaz, talvez
por causa da variação na potência da efedrina contida
nos extratos de ervas.
· A ephedra estimula o sistema nervoso da mesma maneira que a cafeína,
portanto pode fazer com que um atleta se sinta energizado, mas ela não
oferece energia.
· As ervas podem ser particularmente perigosas quando ingeridas
com algumas medicações vendidas com ou sem prescrição
médica. Deve-se contar ao médico sobre qualquer suplemento
à base de ervas que esteja sendo ingerido.
· Não espere que suplementos à base de ervas substituam
treinos árduos como uma maneira de melhorar o desempenho.
LITERATURA ADICIONAL SUGERIDA:
Antonio,
J., J. Uelmen, R. Rodriguez, and C. Earnest (2000). The effects of Tribulus
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metabolic, endocrine, and physiologic effects. Int. J. Sports Nutr. 1:178-191.
A informação
aqui contida destina-se ao público profissional, incluindo cientistas,
técnicos, médicos, treinadores de atletas, nutricionistas
e outros profissionais da saúde esportiva com conhecimentos básicos
de fisiologia humana.
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